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30 anos depois, ´Massacre da serra elétrica´ deve ter indenização


Trinta anos depois, a família Santos Firmino deve ser indenizada, com R$ 1 milhão, por dois dos assassinatos mais bárbaros da história do país. O Ministério Público do Acre pediu à Justiça, com tutela de urgência, que o Estado pague uma recompensa pelas cenas de horror registradas em Rio Branco, no ano de 1996.

Quando o caso esteve em evidência, era comum ser associado na mídia a “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), do diretor americano Tobe Hooper, um dos filmes mais cultuados no cinema pelos fãs do terror.

O personagem principal dessa história é o coronel reformado da Polícia Militar do Acre, Hildebrando Pascoal. Ele ficou conhecido no Brasil inteiro como o “Deputado Motosserra”. E o apelido não era apenas uma alusão às arvores que derrubou e aos crimes ambientais que cometeu na região amazônica.

O político foi condenado, em 2009, pelo homicídio triplamente qualificado do mecânico Agilson dos Santos Firmino, o Baiano, que teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados pela serra elétrica do parlamentar do PFL. Um filho de Baiano, Wilder, de 13 anos, portador de transtorno mental, também foi torturado e assassinado pelo bando do mesmo militar.

Líder de um grupo de extermínio, Hildebrando teve o mandato de deputado cassado e foi preso em 1999, quando a CPI do Narcotráfico revelou que ele fazia parte de uma organização criminosa de tráfico de drogas, roubo de cargas, corrupção e lavagem de dinheiro. Suas penas somadas naquele momento chegavam em cem anos de prisão. Desde 2019, no entanto, alegando problemas de saúde, o criminoso, 73 anos, cumpre prisão domiciliar na capital do Acre.

O crime da serra elétrica teria sido motivado por uma vingança. O coronel acusava o mecânico Baiano de ter ajudado na fuga do pistoleiro Jorge Hugo Júnior, o Mordido, responsável pelo assassinato do Itamar Pascoal, irmão de Hildebrando. O pistoleiro e Itamar se desentenderam durante uma negociação para libertar um traficante de um presídio estadual.

Inacreditavelmente, depois do episódio da motosserra, Hildebrando foi eleito para o Congresso. O homicídio aconteceu em 1996, e sua eleição, dois anos depois. O coronel que havia sido comandante da Polícia Militar acreana obteve 18.356 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em 1998. Quatro anos antes, conquistara uma vaga na Assembleia Legislativa, o que lhe rendeu o título do mais votado para este cargo na história do Acre — 7.841 eleitores consagraram o seu nome.

Raro jornalista a fazer uma entrevista exclusiva com o coronel-deputado ainda no período do crime da motosserra, Altino Machado conta que seguiu para a casa do político “rezando”. O temor do então correspondente do Jornal do Brasil não era à toa. O clima era realmente assombroso. Antes mesmo do repórter ligar o seu gravador, Hildebrando, cercado de policiais e capangas, sacou uma pergunta à queima-roupa: “Você sabia que posso matá-lo aqui, agora?”

Felizmente, para o jornalista e seus leitores, aconteceu apenas uma reportagem histórica de um entrevistador destemido.

 





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