Dino votou pela prisão e cassação de Zambelli (Composição: Lucas Oliveira/Cenarium)
23 de março de 2025
Letícia Misna – Da Cenarium
MANAUS (AM) – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino votou, neste domingo, 23, a favor da condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) a 5 anos e 3 meses de prisão. Ele é o quarto magistrado da Corte a proferir voto pela condenação da parlamentar por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O julgamento de Zambelli pelos ministros do STF se deve a um fato ocorrido em outubro de 2022, quando, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, a deputada correu atrás do jornalista Luan Araújo apontando uma arma de fogo contra ele.
“É uma contradição insanável que um representante político ameace gravemente um representado, como se estivesse acima do cidadão, ao ponto de sujeitá-lo com uma arma de fogo, em risco objetivo de perder a sua vida”, disse Flávio Dino durante seu voto.
O julgamento, que ocorre em plenário virtual, teve início na última sexta-feira, 21, e já computou os votos de Gilmar Mendes (relator do caso), Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. Com o voto de Dino, o placar vai para 4 a favor e 0 contra.
Os demais ministros, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça e Cristiano Zanin têm até as 23h59 do dia 28 de março para votar. O julgamento também está sujeito ao acréscimo de mais tempo de duração, além de poder ir para o plenário físico.
Além da prisão, o processo também pode acarretar na cassação de Zambelli, fazendo com que ela perca seu cargo de deputada.
Denúncia
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que fez a denúncia contra Zambelli ao STF, “a parlamentar estava em um restaurante, no bairro Jardins, em São Paulo (SP), quando um homem afirmou que, com a vitória do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro e seu grupo iriam ‘voltar para o bueiro’”.
A deputada, então, perseguiu-o pelas ruas apontando o revólver e mandando que ele deitasse no chão. Toda a situação foi filmada por pessoas que estavam próximas aos dois e as imagens foram parar na internet, ganhando grande repercussão.
O STF recebeu a denúncia da PGR em 2023, tornando a deputada ré. Naquele ano, entre outros pontos, a defesa de Zambelli alegou que o ocorrido não tinha relação com seu mandato, o que afastaria o caso da alçada do STF. Também foi dito que “a conduta de Carla Zambelli se deu como legítima resposta às provocações e com o objetivo de prender ou conduzir o homem até a delegacia de polícia”.
Editado por Marcela Leiros
Revisado por Gustavo Gilona
Fonte: Agência Cenarium