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O manifesto “Somos 99%”, lançado pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), contra privilégios dos ricos e abusos de políticos fisiológicos, já ultrapassa 425 mil assinaturas no site 99porcento.com.br. Em nova fase, a campanha já começa a exibir o posicionamento de deputados e senadores do Congresso Nacional sobre as pautas que constam no texto.
No site, é possível acompanhar uma lista de todos os congressistas do país, que estão sendo interrogados pelo ICL sobre as propostas do manifesto. Os deputados que se manifestarem a favor de todas as propostas receberão um selo do “Somos 99%” e os parlamentares que foram contrários também serão exibidos no site. Os congressistas que se manifestaram a favor das ideias e voltarem contra as medidas no Parlamento vão receber um selo de “traidor dos 99%”.
Alguns dos parlamentares estão sendo interrogados pessoalmente, nas dependências do Congresso Nacional, pelo jornalista Guga Noblat, do ICL Notícias. Os vídeos com os questionamentos feitos por Guga também podem ser vistos no site da campanha.
Parlamentares como a deputada Duda Salabert (PDT-MG), Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS), Carlos Zarattini (PT-SP), Maurício Neves (PP-SP), Tião Medeiros (PP-PR) e Junio Amaral (PL-MG) se posicionaram a favor do manifesto após os questionamentos de Guga Noblat. Kim Kataguiri (União-SP) e Fausto Pinato (PP-SP) concordaram com pontos apresentados, mas não endossaram oficialmente as propostas até o momento. Coronel Chrisóstomo (PL-RO) se posicionou parcialmente a favor.
Em outra leva de questionamentos de Guga Noblat, Hugo Leal (PSD-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) se posicionaram a favor do manifesto. Bibo Nunes (PL-RS) e o senador Esperidião Amin (PP-SC) foram parcialmente a favor. Alberto Fraga (PL-DF) e Márcio Marinho (Republicanos-BA) ganharam o selo de “fujão”. O posicionamento de outros parlamentares podem ser vistos no site.
Alguns dos parlamentares estão sendo interrogados pessoalmente, nas dependências do Congresso Nacional, pelo jornalista Guga Noblat, do ICL Notícias
O senador Paulo Paim (PT-RS), a favor das proposta do manifesto “Somos 99%”, enviou um vídeo com seu posicionamento. “Só 1% da população concentra 63% de toda a riqueza nacional, enquanto isso o povo sofre com a falta de saneamento básico, saúde, educação de qualidade, trabalho com salário justo e segurança pública não está a altura da proteção que temos que ter das nossas vidas”, disse. “Está na hora de virar o jogo”, completou.
O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) também se manifestou a favor das propostas do manifesto. “Estamos em um momento muito interessante do debate público brasileiro em que temas difíceis como justiça tributária e justiça fiscal estão sendo debatidos e isso é muito bom”, disse o parlamentar.
Propostas do manifesto
A campanha denuncia os privilégios do 1% mais rico da população, que concentra 63% da riqueza nacional, e critica os abusos cometidos por políticos fisiológicos e servidores que recebem supersalários.
Entre as principais pautas estão: o fim dos supersalários no serviço público; a extinção das emendas secretas; a redução da carga tributária que pesa sobre os trabalhadores; uma taxação mais justa sobre os mais ricos; o enfrentamento da impunidade entre políticos, juízes, empresários, banqueiros e militares; a ampliação da transparência pública; a cobrança das dívidas bilionárias de latifundiários e grandes empresas; e a proibição de eventos públicos considerados “vergonhosos” e sem transparência.
O abaixo-assinado está disponível no site 99porcento.com.br.
“Para cobrar, é preciso saber o que cobrar. Foi isso que fizemos desta vez”, afirmou Eduardo Moreira durante o lançamento do manifesto. Ele destacou dados do relatório da Oxfam sobre desigualdade e poder corporativo, além de informações da PNAD Contínua (IBGE), que revelam a concentração extrema de renda no país. De acordo com o levantamento, o 1% mais rico ganha, em média, 36,2 vezes mais do que os 40% mais pobres — e 13,4 vezes mais do que os 10% mais ricos.
Leia o manifesto
“Por um Estado Ético, Justo e Transparente
O Brasil precisa de coragem para romper com os privilégios, enfrentar os abusos e devolver o Estado ao povo.
Não aceitaremos mais um país em que poucos concentram riquezas e benefícios, enquanto a maioria paga a conta.
Chegou a hora de moralizar o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. De construir um Estado ético, justo e transparente.
Por isso, propomos as seguintes medidas imediatas e inegociáveis:
Fim dos Supersalários
Exigimos o cumprimento integral do teto constitucional para todos os servidores públicos, sem exceções ou manobras. Chega de “penduricalhos” que transformam cargos públicos em castas de privilégios.
Justiça Fiscal para Quem Mais Precisa
Isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais.
E que o 1% mais rico finalmente pague sua parte justa, com taxação de dividendos milionários e combate às estratégias que driblam impostos.
Combate à Corrupção e à Impunidade
Deputados e senadores que roubam, descumprem a lei ou traem a confiança pública devem ser julgados e punidos como qualquer cidadão.
A revisão do foro privilegiado para proteger criminosos é urgente.
Transparência Radical
Fim imediato das emendas secretas, com auditoria completa de tudo o que foi gasto nos últimos anos.
O povo tem direito de saber para onde vai cada centavo do seu dinheiro.
Cobrança dos Grandes Devedores
Os grandes donos de terras, bancos e empresas que acumulam dívidas bilionárias com a União devem pagar já o que devem à sociedade.
Não aceitaremos mais calotes travestidos de “acordos” ou ações judiciais intermináveis.
Chega de Subsídios aos Já Ricos
Os subsídios fiscais bilionários para grandes empresas precisam acabar. É hora de investir esses recursos na população, não em privilégios.
Independência e Imparcialidade no Judiciário
Definição clara de regras para que magistrados não participem de eventos financiados por entidades privadas que possam comprometer sua imparcialidade. Justiça não se vende, não se aluga, não se corrompe.
Fiscalização Popular
Uma campanha nacional de divulgação do Portal da Transparência, para que qualquer cidadão possa fiscalizar os gastos, salários e benefícios de deputados, senadores e membros do Executivo.
O povo fiscaliza. O povo cobra. O povo decide.
O Brasil que Queremos
Queremos um Brasil onde os impostos sejam justos, onde os poderosos também paguem a conta, onde ninguém esteja acima da lei, e onde cada centavo público sirva para melhorar a vida da maioria.
Este manifesto é um chamado: para quem não aceita mais a desigualdade, para quem não aguenta mais privilégios e corrupção, para quem acredita que o Estado deve servir ao povo — e não o contrário”.
Fonte: ICL Notícias




