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sábado, fevereiro 21, 2026
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90% de adesão à greve e violência policial marcam maior protesto contra governo Milei


Por Lucas Krupacz, Nara Lacerda e Tabitha Ramalho – Brasil de Fato

Enquanto a Câmara dos Deputados da Argentina avançava na votação da reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, as ruas do país davam sua resposta. Nesta quinta-feira (19), a quarta greve geral desde a posse do ultraliberal paralisou a Argentina com mais de 90% de adesão, indicador do descontentamento popular diante das medidas que retiram direitos históricos dos trabalhadores.

Mas os números impressionantes da paralisação não contam toda a história. Por trás deles, há uma estratégia sistemática de violência estatal, uma reforma que avança no Congresso e uma população cada vez mais sufocada pela carestia. Para entender o que está em jogo, o Conexão BdF entrevistou Erika Gimenez, jornalista e coordenadora internacional da ARG Medios, que acompanhou de perto as mobilizações.

A greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) paralisou transportes, comércios e serviços em todo o país. A adesão maciça, no entanto, teve uma exceção reveladora: a empresa vinculada ao pai de Javier Milei, alinhada ao governo, foi a única que não paralisou suas atividades, e ainda tentou obrigar trabalhadores a comparecerem.

“O transporte parou, é importante destacar isso”, afirma Gimenez. “Só que tem uma coisa para falar: a empresa relacionada com o governo, é a única que não fez parte da greve. Eles obrigavam os trabalhadores a chegar.”

A jornalista ressalta que, apesar da adesão impressionante, a sensação que fica é de que “não é suficiente”. E explica por quê: “A sociedade está sendo pressionada em várias frentes ao mesmo tempo. Tem aumento da tarifa do transporte, eletricidade, gás, os aluguéis, a dificuldade de pagar dívidas familiares. Mobilizar também é muito difícil.”

O Congresso avançou com a reforma trabalhista e um item, em particular, passou quase despercebido, mas tem enorme significado: a retirada do estatuto profissional dos jornalistas. “Ontem [quinta-feira] eles tiraram o artigo dos jornalistas profissionais”, denuncia Gimenez. “A gente não tem mais o estatuto profissional do trabalho que garanta nossos direitos.”

A medida é mais um capítulo na guerra declarada por Milei contra a imprensa crítica. “Os jornalistas são alvo da violência do Milei. Os fotojornalistas nas mobilizações, os jornalistas nos discursos, nas redes sociais”, destaca. “Esse artigo marca um retrocesso e marca o ataque ao jornalismo. O jornalismo não vai ter direitos. É um dia muito triste para nós.”

As imagens dos protestos em Buenos Aires impressionaram: ruas laterais tomadas por policiais, caminhões de água em cada esquina, uma desproporção evidente entre manifestantes e forças de repressão.

“Tinha mais polícia que pessoas”, descreve Gimenez. “Se vocês olham as imagens depois das cinco da tarde de ontem, é uma imagem de muita violência desproporcionada. É impossível de compreender, mas é a imagem lamentavelmente de ditadura.”

A jornalista explica que a estratégia do governo vai mudando a cada protesto, mas a essência é sempre a mesma: repressão. “Ontem foi pelas ruas laterais. Tinham mais caminhões que atiram água nas pessoas. Muita polícia. Eles vão mudando, mas cada vez tem mais polícia e mais violência. A estratégia deles é a mesma, sempre a repressão.”

Para Gimenez, há uma mensagem clara por trás da truculência: “Eles procuram que a gente não se mobilize”. A violência, no entanto, pode ter o efeito oposto. “A gente sempre espera a violência deles. Vai ter um momento que a gente não vai se importar pela repressão. Essa raiva vai virar uma resistência organizada.”

Enquanto o governo Milei comemora seus primeiros resultados como “sucesso”, a realidade nas ruas é outra. A Argentina tem hoje 40% de trabalhadores informais, um contingente enorme que governos anteriores, mesmo progressistas, não conseguiram incorporar ao mercado formal.

“Outros governos não conseguiram responder a essas demandas das pessoas, a esses trabalhadores informais. Hoje, na Argentina, para ter uma vida digna, tem pessoas que têm três trabalhos. Isso não é possível. Isso não pode ser imagem de sucesso do Milei”, critica.

A reforma trabalhista segue avançando no Congresso, o artigo 44 foi aprovado, e a perspectiva para os próximos meses é de mais enfrentamento.

A jornalista aposta na organização popular como caminho. “Pode ser pela oposição, pode ser uma organização nova. Acho que ainda não vai ser possível uma resposta imediata, mas no ano que vem a gente tem eleições”, finaliza.





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