*Por Chico Vigilante
A democracia brasileira, ainda respirando após a tentativa do golpe em 2023, não se sustenta por acaso ou por mera inércia institucional. Ela permanece de pé, teimosa e resistente, graças à coragem de homens e mulheres que, em postos-chave, ousaram enfrentar a fúria do fascismo.
À frente dessa trincheira jurídica, destacando-se não por ambição, mas por uma determinação honrosa, está o Ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. Seu crime, perante os olhos da extrema-direita e de setores do poder econômico, foi um só: aplicar a Constituição sem medo, sem favoritismos, garantindo que o Estado Democrático de Direito não fosse um mero adorno retórico, mas uma prática diária e inflexível.
A farsa jornalística recente, com suas “fontes” anônimas e seu espetáculo de irresponsabilidade, escancara essa aliança espúria. Não se trata de jornalismo, mas de um linchamento midiático encomendado. É nojento ver figuras como o senador Magno Malta, ícone do atraso político, abraçarem essa “notícia” como se fosse um salvo-conduto para seu projeto de poder. Essa convergência entre o pior da política reacionária e um jornalismo venal deve servir de alerta para todos nós. É a mesma máquina de fake news e de desestabilização que tentou derrubar as eleições, agora mirando um dos seus principais obstáculos.
Eu sempre compreendi que a democracia formal, por mais limitada que seja, é o campo de batalha indispensável para a conquista de direitos. Sem ela, nos resta a barbárie do arbítrio, onde o capital esmaga o trabalhador sem qualquer mediação. Alexandre de Moraes, ao garantir a lisura eleitoral e o funcionamento das instituições, protegeu justamente esse espaço de luta. Por isso, os recentes ataques furiosos que recebe não são pessoais. São ataques ao próprio pacto civilizatório que impede o retorno ao autoritarismo puro e simples. Defender Moraes, neste contexto, é defender a possibilidade mesma da política.
É sintomático e revelador observar quem compõe o coro dos que hoje querem seu sangue político. Junta-se à horda negacionista e golpista de sempre um segmento influente da grande mídia e do setor financeiro. Este último, em particular, age com cinismo brutal. Apoiou tácita ou abertamente a aventura autoritária para ver seus privilégios tributários ampliados, mas agora, vendo que a temida “faxina” democrática pode, de fato, chegar aos seus domínios sob a égide da lei, entra em pânico.
Sabem que no STF de Moraes, manobras espúrias para subverter a ordem em favor do lucro serão barradas. O julgamento será conforme a Constituição, e isso, para quem sempre navegou nos interstícios da legalidade em benefício próprio, é uma ameaça intolerável.
Ao longo de minha trajetória, sempre pautei meu mandato pela defesa dos direitos e da justiça social. Nessa luta, aprendi que os inimigos da maioria são os mesmos: uma elite econômica que vê a democracia como um incômodo e a Justiça como um instrumento a ser comprado ou desmoralizado quando não lhe serve. O ataque a Moraes é a face jurídico-midiática da mesma guerra de classes que travamos no plano dos salários e dos serviços públicos. É uma tentativa de desarmar a instituição que pode frear seus abusos.
Portanto, este não é um apelo em defesa de um homem, mas em defesa de uma função. Alexandre de Moraes encarna, neste momento histórico preciso, a resistência do Estado de Direito. A esquerda, com sua diversidade de pensamentos, não pode vacilar neste ponto fundamental. Unirmo-nos em sua defesa não é apenas mobilização por justiça, é estratégia de sobrevivência democrática. Qualquer divisão ou hesitação neste campo é um presente aos que desejam o caos institucional para pescar no rio revolto.
Neste final de ano, meu desejo ao Ministro não é de paz, pois ele não a terá. Meu desejo é de força. Que continue firme, sem se intimidar com os rosnados dos que nunca aceitaram a vontade popular. A classe trabalhadora, que mais sofre sob o jugo autoritário, reconhece nele um dique de contenção essencial. Seu trabalho no TSE e no STF foi e é o que permitiu que nossa voz não fosse totalmente silenciada pelas metralhadoras digitais do ódio.
Ministro Alexandre de Moraes, conte com a solidariedade ativa deste parlamentar e de todos que, na trincheira do legislativo ou nas bases dos movimentos sociais, compreendem o que está em jogo. Seguiremos vigilantes, porque a democracia que salvou em 2023 precisa ser defendida todos os dias de 2026 e além. A luta continua, e em frente, sempre.
* Chico Vigilante é deputado e líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal




