Abolição, quilombos e resistência – ICL Notícias


Como professor da educação básica, continuo trabalhando o processo de abolição da escravatura no Brasil, e mais especificamente o 13 de maio, a partir do desfile de 1988, ano do centenário da Lei Áurea, da Mangueira. O título do enredo já diz tudo: 100 anos liberdade – realidade ou ilusão?

Ao denunciar a farsa de uma abolição sem inclusão ou políticas reparatórias, a Estação Primeira afirmava, no antológico samba de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho, que a história da escravidão é a historia das lutas contra a escravidão.

Para corroborar com o hino da velha Manga, basta lembrar que em todas as regiões onde ocorreu a escravidão existiram quilombos. Palmares está ligado à economia açucareira, assim como outros quilombos do Nordeste. Já os quilombos de Goiás e Minas Gerais – e foram muitos, com destaque para o do Ambrósio – estão relacionados à economia mineradora. Há inúmeros registros de quilombos no Pará, no Rio Grande do Sul, na Bahia, no Maranhão, em São Paulo, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Mato Grosso (viva Teresa de Benguela!) e em mais um monte de lugares.

No último século de escravidão, o XIX, existiam vários quilombos nas cercanias das cidades, que mantinham, inclusive, contato com as zonas urbanas. Próximo à Corte havia o quilombo de Iguaçu, protegido por rios e mangues, que fornecia grande parte da lenha que era consumida no Rio de Janeiro. Em Itapoã, pertinho de Salvador, ficava o Buraco do Tatu; em Recife, o do Malunguinho. Há referências, nesses quilombos, à presença de indígenas e foragidos da lei.

Nas últimas décadas da escravidão apareceram quilombos, também muito próximos às cidades, onde os escravizados contaram com a proteção e apoio de militantes do movimento abolicionista. O maior de todos foi o de Jabaquara, na Serra de Cubatão. O Jabaquara recebeu boa parte dos negros que pirulitavam das fazendas de café do oeste novo paulista.

Aqui no Rio de Janeiro, há o famosíssimo caso do quilombo do Leblon, formado em terras de um comerciante abolicionista; bem próximo ao centro e às zonas abastadas da cidade. Os habitantes do quilombo cuidavam de uma plantação de camélias, que eram vendidas nas principais ruas da cidade – sobretudo na Rua do Ouvidor – e se tornaram um símbolo poderoso do movimento abolicionista. Desse passado glorioso do Leblon aposto que boa parte da população atual do bairro nem desconfia.





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