Alckmin discute tarifaço de Trump com big techs


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Em meio à crise diplomática provocada pelo tarifaço anunciado por Donald Trump, o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na segunda-feira (21) que o governo brasileiro mantém conversas reservadas com os Estados Unidos.

“Estamos em contato pelos canais institucionais e de forma reservada”, repetiu Alckmin, presidente em exercício durante a viagem do presidente Lula (PT) ao Chile.

A declaração foi feita após reunião no Palácio do Planalto com representantes de empresas de tecnologia como Apple, Google, Meta, Visa e Expedia — todos setores potencialmente afetados pelas medidas protecionistas do governo Trump.

A interlocução, no entanto, enfrenta barreiras, devido à ausência de um embaixador dos EUA em Brasília, o que tem limitado o acesso direto do governo brasileiro à Casa Branca.

A comunicação estaria restrita a técnicos da Secretaria do Tesouro norte-americano, sem influência sobre o presidente norte-americano.

O Brasil tenta reabrir os canais de negociação após a escalada iniciada com a carta de Trump, datada de 9 de julho, que citou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, e críticas à regulação de big techs no Brasil.

O documento foi considerado um ponto de ruptura no diálogo, interrompendo uma série de nove rodadas de negociações técnico-ministeriais conduzidas desde maio, sem resposta oficial dos EUA a uma minuta confidencial apresentada pelo Itamaraty.

Em reunião com Alckmin, big techs defendem “Pix para Todos”

Alckmin aproveitou a reunião com as big techs para destacar a importância do Brasil como mercado estratégico para empresas estrangeiras e defendeu o Pix, que se tornou alvo na investigação comercial aberta por Washington. “Falaram que defendem o chamado ‘Pix para todos’. O Pix é um sucesso porque é gratuito e rápido. É um exemplo para o mundo”, disse o vice-presidente.

Apesar do tom diplomático, o governo busca reverter o tarifaço e tem adotado medidas de articulação com setores produtivos e investidores estrangeiros. Ainda que sem discutir taxação das empresas de tecnologia, o encontro com as gigantes digitais sinaliza uma tentativa de alavancar apoio político e empresarial à posição brasileira.

A estratégia agora mira não apenas reabrir a interlocução com a Casa Branca, mas também demonstrar que o Brasil permanece disposto à negociação — desde que os canais institucionais sejam respeitados.





Fonte: ICL Notícias

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