O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na semana passada que solicitou ao Departamento de Justiça uma investigação sobre frigoríficos acusados de elevar artificialmente os preços da carne bovina. Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que empresas como JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef — que dominam 85% do processamento de carne no país — podem estar envolvidas em conluio, fixação de preços e manipulação do mercado.
“Se houve crime, os responsáveis pagarão um preço alto”, declarou Trump, acrescentando que pretende proteger os pecuaristas norte-americanos e o abastecimento alimentar nacional.
O governo Trump aponta que a concentração do setor frigorífico aumentou drasticamente desde a década de 1980. Na época, os quatro grandes frigoríficos compravam um terço do gado abatido; na década de 1990, essa participação saltou para mais de 80% e segue crescendo.
Para os consumidores, a consequência tem sido alta nos preços, especialmente depois da implementação do tarifaço contra as importações de produtos de vários países.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho indicam que, em setembro, a carne moída atingiu US$ 6,32 por libra, alta de 11% em relação ao ano anterior. No atacado, os preços da carne bovina subiram 16% em 2025, segundo o USDA.
Embora especialistas apontem a redução do rebanho bovino — afetado por secas e outros fatores — como principal causa da alta, Trump atribui a responsabilidade aos frigoríficos de capital estrangeiro.
Empresas brasileiras no centro da controvérsia sobre o preço da carne
Duas das companhias citadas na apuração são brasileiras. A JBS, maior processadora de carne do mundo, tem como principais mercados os EUA e o Brasil e mantém relações próximas com o governo norte-americano. A Marfrig, que adquiriu a National Beef em 2018, também se consolidou no mercado americano.
A imposição de tarifas de 50% sobre a carne brasileira pelo governo Trump reduziu significativamente as exportações do país para os EUA, embora as vendas ainda tenham somado US$ 1,3 bilhão em 2024, quase o triplo de 2020.
O anúncio da investigação provocou queda nas ações dessas empresas: a JBS recuou até 6,2% e a Tyson Foods chegou a cair 2% antes de se recuperar.
Tensão com pecuaristas
A iniciativa de Trump chega após críticas de pecuaristas, que afirmam que os frigoríficos concentram poder excessivo e absorvem parte crescente dos lucros, enquanto os produtores recebem preços mais baixos pelo gado. A investigação também pode acalmar setores rurais descontentes com a guerra comercial promovida pelo republicano, que reduziu preços de commodities e prejudicou exportações.
No entanto, tentativas anteriores de reduzir o domínio desses frigoríficos não tiveram sucesso. Durante seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação antitruste que seguiu parcialmente sob a administração de Joe Biden, sem resultar em processos judiciais.




