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Por Cleber Lourenço
A temperatura política no Congresso Nacional indica um momento de retração para o bolsonarismo institucional. O enterro simbólico do projeto de Lei da Anistia, antes tratado como prioridade por setores da base bolsonarista, marca o esvaziamento definitivo da principal bandeira legislativa do grupo neste ano. Ao mesmo tempo, cresce a tensão no entorno do PL com a circulação de informações sobre possíveis sanções internacionais envolvendo parlamentares brasileiros, em um movimento que expõe fissuras internas e suspeitas de sabotagem entre aliados.
Anistia perde apoio interno e externo
Na Câmara dos Deputados, uma das poucas certezas na casa é que o projeto de anistia foi definitivamente descartado, sem qualquer perspectiva de votação após se tornar uma exigência de Donald Trump em sua intentona contra o Brasil.
O que explica esse sepultamento são dois fatores:
- Internamente, líderes do centrão e mesmo deputados do baixo clero deixaram de enxergar viabilidade política ou utilidade estratégica na proposta. O custo de mantê-la em pauta passou a superar os possíveis ganhos.
- Externamente, a base bolsonarista também perdeu ímpeto. Os atos de rua em defesa da anistia, que antes pressionavam o Legislativo, já não têm o mesmo número de participantes nem a capacidade de gerar temor institucional. A militância bolsonarista parece mais desmobilizada do que em outros momentos.
A falta de direção no partido permanece
Ao mesmo tempo em que a anistia perde espaço, outro fator passou a preocupar lideranças do PL: a circulação de notícias na imprensa que colocam os deputados Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil), além de ministros do Supremo Tribunal Federal, no radar de possíveis sanções internacionais.
Segundo apuração do ICL Notícias, essas reportagens acenderam um alerta entre dirigentes do PL que agora veem a possibilidade de que os vazamentos tenham sido plantados por parlamentares ligados a Eduardo Bolsonaro e pelo próprio filho do ex-presidente.
A suspeita é que esse tipo de movimentação, em vez de fortalecer o grupo, estaria aprofundando o isolamento da legenda no Congresso. Se a narrativa de que há bolsonaristas promovendo uma ofensiva velada contra o centrão e o STF ganhar força, a vida do PL na articulação legislativa se tornará ainda mais difícil.
PL tenta descolar da crise
Deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara (Foto: Reprodução)
Procurado pelo ICL Notícias, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da legenda na Câmara, negou qualquer tipo de articulação nesse sentido, chegando a classificar como “fake news”.
Reconfiguração de forças
No pano de fundo, o que se desenha é um novo ciclo de reconfiguração das forças políticas da direita no Congresso. O bolsonarismo, outrora com protagonismo absoluto, agora enfrenta as consequências do esvaziamento da militância, do desgaste nas ruas e do aumento do isolamento institucional. A aposta em estratégias de confronto, como a anistia, a retórica anti-STF e, agora, a difusão de possíveis sanções, mostra sinais de esgotamento.
A articulação política do centrão, especialmente a de nomes como Hugo Motta, tende a se distanciar ainda mais de qualquer associação direta com o núcleo duro do bolsonarismo, não apenas por cálculo político, mas também por uma crescente percepção de risco institucional e internacional.
O resultado prático é o enfraquecimento do bolsonarismo como polo de influência no Legislativo e a fragmentação interna de sua base, exposta agora a conflitos internos, suspeitas de sabotagem e perda de protagonismo em pautas sensíveis.
Fonte: ICL Notícias




