Por Tamara Nassif
(Folhapress) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, nesta quarta-feira (2), a suspensão da fabricação de produtos de limpeza na fábrica da Unilever, multinacional de origem anglo-holandesa, em Vinhedo (SP).
Foram identificadas falhas nas Boas Práticas de Fabricação, “requisitos que as empresas devem cumprir para assegurar que a produção conte com sistemas de controle de qualidade adequados”, diz a Anvisa, em nota.
“Entre as inconsistências mapeadas, estão falhas nos controles realizados durante a fabricação e antes da liberação dos produtos, deficiências no monitoramento da água utilizada no processo produtivo e fragilidades na investigação e correção de problemas identificados pela própria empresa.”
A inspeção foi realizada entre os dias 24 e 28 de agosto pela Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo.
A medida, esclarece a Anvisa, é preventiva. “A avaliação das evidências disponíveis até o momento não indicou contaminação microbiológica ou outros problemas sobre os lotes produzidos na fábrica”, diz.
“Por esse motivo, não foi determinada a suspensão da comercialização, da distribuição ou do uso dos produtos já fabricados e disponíveis no mercado, nem seu recolhimento.”
A Unilever foi procurada pela reportagem por email às 8h20, mas não retornou a tentativa de contato até a publicação desta reportagem.
A empresa é dona de marcas como Omo, Dove, Seda, Rexona, Comfort, Helmans, Cif e Knorr. Segundo informações disponíveis no site da empresa, a fábrica de Vinhedo é responsável pela fabricação de produtos líquidos, incluindo linhas de tratamento para cabelos da Dove, o Omo Lava Roupas Líquido e os amaciantes Comfort.
Relembre a crise da Ypê
De acordo com a Anvisa, a vistoria à fábrica da Unilever faz parte de outras ações integradas de fiscalização sanitária de empresas fabricantes de saneantes, categoria que inclui produtos destinados à limpeza, desinfecção e conservação de ambientes.
Já foram realizadas sete inspeções neste ano, incluindo quatro das maiores fabricantes do Brasil —entre elas, a Ypê. A investigação da Anvisa em maio na fábrica da marca, em Amparo (SP), culminou na suspensão das atividades do complexo industrial por cerca de um mês e no recolhimento de produtos líquidos com a numeração de lote final 1.
O embargo sobre detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da Ypê ocorreu após a Anvisa identificar falhas graves sobre o controle de qualidade microbiológico, com identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de cem lotes de produtos acabados.
A bactéria, presente em ambientes hospitalares, é considerada oportunista: ela não costuma provocar infecções graves em pessoas saudáveis, e sim quando encontra alguma brecha nas defesas naturais do corpo ou organismos fragilizados. O risco é maior com imunossuprimidos e idosos.
O caso começou em novembro de 2025, quando a agência determinou o recolhimento de lotes de lava-roupas líquidos da Ypê após identificar irregularidades sanitárias. Como mostrou a Folha, as denúncias partiram da Unilever.
A Anvisa liberou os produtos da Ypê em junho após a empresa apresentar laudos satisfatórios. A exceção foi o lava-roupas líquido: a marca iniciou um recolhimento voluntário de produtos da linha com final de lote 1, produzidos até 31 de março deste ano, mas não informou o motivo de continuarem suspensos.





