O governo brasileiro usou uma reunião da OMS (Organização Mundial da Saúde) para denunciar o genocídio em curso contra os palestinos. Trata-se da primeira referência ao termo no âmbito de discussões humanitárias por parte da diplomacia do Itamaraty.
A reunião havia sido convocada para lidar com a situação de saúde dos palestinos. Ainda que um frágil cessar-fogo em Gaza esteja em vigor, a postura da chancelaria brasileira foi insistir em alertar sobre as violações.
Ao tomar a palavra, o embaixador do Brasil na ONU, Tovar da Silva Nunes, destacou a “importância imperativa de todas as partes respeitarem e aplicarem o Direito Internacional dos Direitos Humanos e o Direito Humanitário”.
“O Brasil elogia a OMS por ampliar as operações para restabelecer os serviços essenciais e destaca a necessidade urgente de proteger e reconstruir instalações de saúde, combater a desnutrição, facilitar evacuações médicas e garantir que as ONGs e as equipes médicas de emergência possam continuar seu trabalho vital”, disse.
A avaliação do governo, porém, sinaliza que os crimes não cessaram. “Também elogiamos a proposta de expansão do apoio psicossocial e em saúde mental como ferramenta fundamental para ajudar as pessoas afetadas pelo genocídio em curso a superarem seus traumas”, destacou o embaixador.
Num recado ainda a potências que buscam outros caminhos para lidar com a causa palestina, o embaixador insistiu que “somente uma solução política, fundamentada no Direito Internacional e baseada na solução de dois Estados, pode alcançar uma paz sustentável”.
“Isso implica um Estado palestino independente, soberano e viável, e o pleno respeito ao direito do povo palestino à autodeterminação”, completou.




