Uma aposentada de 70 anos perdeu mais de R$ 37 milhões em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos, segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A investigação levou à Operação Criptoabate, que cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em cidades do Rio Grande do Sul e de São Paulo.
A operação é realizada em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e nas cidades de São Paulo e Santos. Ao todo, 18 pessoas são alvo da investigação, incluindo três donos de empresas de criptoativos e uma gerente de banco. Até as 7h desta quinta, dois investigados haviam sido presos.
Segundo a polícia, a vítima foi atraída para grupos de mensagens que simulavam comunidades de investimentos. Supostos especialistas e participantes interagiam para criar uma aparência de segurança, enquanto a plataforma mostrava resultados positivos e incentivava novos aportes.
Quando a aposentada tentou retirar o dinheiro, os saques teriam sido bloqueados. Em seguida, os criminosos passaram a cobrar taxas, impostos e outros valores para liberar o patrimônio, fazendo com que ela continuasse transferindo dinheiro.
A estratégia é conhecida como “pig butchering”, ou “golpe do abate de porcos”, em que os criminosos constroem uma relação de confiança com a vítima antes de induzi-la a entregar quantias cada vez maiores. A polícia identificou pelo menos 140 potenciais vítimas ligadas à mesma dinâmica.
A investigação também apontou que 24 dos 25 primeiros destinatários empresariais dos valores transferidos pela principal vítima tinham contas em uma mesma instituição financeira. Depois, os recursos eram distribuídos para outras empresas e intermediadores até serem transformados em criptomoedas.
A Operação Criptoabate é resultado de uma investigação de um ano e seis meses. A polícia pretende analisar os materiais apreendidos, identificar possíveis novas vítimas e envolvidos e localizar bens e valores que possam ser recuperados





