Por Aléxia Sousa
(FolhaPress) – A apuração do Grupo Especial do Rio, realizada nesta quarta-feira (18) na Cidade do Samba, na zona portuária, estreia um novo modelo de avaliação que promete mexer na matemática do Carnaval.
Pela primeira vez, todos os nove quesitos que definem a campeã — como bateria, harmonia e samba-enredo — passam a ser divididos em subquesitos. Ao todo, são 26 detalhamentos espalhados pelos fundamentos, conforme o Manual do Julgador elaborado pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro).
Até o ano passado, apenas cinco quesitos eram fracionados, normalmente em dois eixos: “concepção” e “realização”, separando a proposta apresentada no enredo e a execução na avenida. Agora, cada fundamento pode ser desmembrado em até quatro partes, incluindo critérios como cadência, fluência, funcionalidade, criatividade e espontaneidade.
Na prática, os 54 jurados precisam somar as notas dos subquesitos para chegar ao valor final que será colocado no envelope. O regulamento impede notas abaixo de 9,0 — o zero só é aplicado em caso de ausência total do quesito, hipótese considerada improvável.
Esse limite torna a conta mais apertada: há subquesitos em que as únicas possibilidades são 1,8, 1,9 ou 2,0, por exemplo, mantendo a tradição de uma disputa decidida no detalhe.
Apesar da mudança no método de avaliação, o ritual da Quarta-Feira de Cinzas segue o mesmo. As notas serão lidas já somadas, décimo a décimo, mantendo o suspense característico da apuração.
Antes da abertura dos envelopes, dois sorteios definem pontos cruciais:
– Um escolhe o critério de desempate. A última bolinha sorteada indica qual quesito servirá de tira-teima em caso de igualdade.
– Outro elimina duas das seis notas atribuídas em cada quesito.
Os 54 julgadores estão distribuídos em quatro módulos ao longo da Marquês de Sapucaí: um no início, dois no setor central, posicionados frente a frente, exigindo apresentações pensadas em 360 graus, e um no fim da pista.
Nas extremidades, os módulos são duplos, com dois jurados por quesito, mas o sorteio retira um de cada ponta. Ao final, restam 36 notas válidas por escola, e a menor delas também é descartada.
A reformulação foi aprovada em plenária pelas 12 agremiações do Grupo Especial, segundo a coordenação de jurados da Liga.
A mudança acompanha a adoção, no ano passado, de um novo sistema de julgamento. O modelo deixou de ser comparativo, quando os jurados avaliavam as escolas entre si ao fim dos três dias de desfile, para se tornar fechado a cada noite. Agora, ao término de cada jornada, os avaliadores já registram e lacram as notas das quatro escolas que passaram pela avenida.
Com isso, o critério deixou de ser quem foi a melhor e passou a se aproximar de quem cometeu menos falhas. Os 26 subquesitos funcionam como um roteiro minucioso para orientar o olhar do júri sobre cada detalhe técnico e artístico.
Embora alguns itens, como criatividade ou espontaneidade, possam parecer mais subjetivos, a Liga sustenta que o desmembramento busca dar mais clareza às justificativas e uniformizar a avaliação.




