Em novembro de 2025, a arrecadação total das receitas federais atingiu R$ 226,75 bilhões, registrando crescimento real de 3,75% em relação ao mesmo mês de 2024. No período acumulado de janeiro a novembro deste ano, o montante chegou a R$ 2,594 trilhões, representando aumento real de 3,25%, segundo informações da Receita Federal divulgadas nesta segunda-feira (22).
Trata-se do melhor desempenho arrecadatório desde 2000, tanto para o mês de novembro quanto para o período acumulado, refletindo o impacto positivo da economia e de medidas tributárias recentes, como a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios (Lei nº 14.973/24).
O ano de 2025 registra um cenário de arrecadação federal robusto, com crescimento real consistente em quase todos os tributos. O destaque fica por conta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), tributos sobre comércio exterior e contribuições previdenciárias, que explicam grande parte do resultado recorde.
Além disso, o setor de exploração de jogos de azar e apostas online (bets) apresentou contribuição positiva para a arrecadação de PIS/Pasep e Cofins em 2025, refletindo alterações recentes na legislação que regularam essas atividades e ampliaram a tributação sobre o segmento.
Especialistas apontam que o equilíbrio entre políticas fiscais, crescimento da massa salarial e estabilidade macroeconômica contribuiu para o desempenho, reforçando a importância de medidas estruturais para sustentar a arrecadação nos próximos anos.
O que contribuiu para o aumento da arrecadação
IOF
- Arrecadação acumulada: R$ 77,55 bilhões, crescimento real de 19,88%.
- Alta impulsionada por operações de saída de moeda estrangeira e crédito para pessoas jurídicas, em decorrência de alterações legislativas recentes (Decerto 12.499/2025).
Receita Previdenciária
- Total acumulado: R$ 641,95 bilhões, crescimento real de 3,10%.
- Influenciada pelo aumento de 5,59% na massa salarial e pelo crescimento das compensações tributárias (+14,74%).
PIS/Pasep e Cofins
- Arrecadação conjunta: R$ 528,85 bilhões, crescimento real de 2,79%.
- Desempenho positivo em serviços, finanças e atividades profissionais; negativo em combustíveis e fabricação de veículos automotores.
Tributos sobre Comércio Exterior
- Imposto de Importação: R$ 84,17 bilhões (+12,95%)
- IPI-Vinculado: R$ 30,03 bilhões (+5,91%)
- A alta foi impulsionada pelo aumento do valor das importações em dólar, pela elevação das alíquotas médias e pela variação cambial.
Imposto de Renda
- IRPF: R$ 67,51 bilhões (+3,76%), impulsionado pelas quotas da declaração de ajuste anual.
- IRPJ e CSLL: R$ 323,47 bilhões e R$ 174,76 bilhões, respectivamente, com crescimento moderado.
Fatores econômicos e setoriais
O Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrou até outubro de 2025 um saldo positivo de 1,8 milhão de empregos, com destaque para os setores de serviços (+961 mil), indústria de transformação (+277 mil) e comércio (+218 mil).
Além disso, o crescimento de 3,73% no Simples Nacional previdenciário contribuiu positivamente para a arrecadação.
Entre os setores com desempenho positivo, estão: entidades financeiras, atividades profissionais e científicas, exploração de jogos e apostas.
Por outro lado, os setores com desempenho negativo foram: combustíveis, fabricação de veículos automotores e tratamento de água.




