O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reafirmou, na ata da última reunião divulgada nesta terça-feira (11), que a taxa básica de juros (Selic) permanecerá elevada por período prolongado, diante da dificuldade de convergir a inflação para o centro da meta de 3%, podendo oscilar entre 1,5% e 4,5%.
A decisão de manter a Selic em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006, divulgada no dia 5 de novembro, reflete, segundo o colegiado, a avaliação de que o cenário econômico ainda demanda cautela e perseverança na condução da política monetária.
“O Comitê dá prosseguimento ao estágio em que opta por manter a taxa inalterada por período bastante prolongado, mas já com maior convicção de que a taxa corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o documento.
Apesar da melhora em alguns indicadores, o BC reforça que a inflação e as expectativas permanecem acima da meta, o que impede qualquer movimento de flexibilização no curto prazo.
Na ata atual, o Copom deixa explícito que a Selic permanecerá em 15% “por período bastante prolongado” e reforça que, em um cenário de expectativas desancoradas, “exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Pode-se dizer que, comparado à ata anterior, que falava mais genericamente em “manter a taxa por um período prolongado”, o texto atual reforça a necessidade de restrição mais forte e duradoura, sinalizando menos flexibilidade futura.
Portanto, a ata atual traz um tom mais duro, na contramão do desejo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que declarou em entrevista ontem que “há um consenso crescente de que a taxa de juros pode começar a cair”, uma vez que os números da economia refletem isso.
Ata do Copom vê inflação ainda desancorada e atividade resiliente
O documento reconhece um arrefecimento nas leituras recentes da inflação, favorecido por um câmbio mais apreciado e pela queda nas commodities. Mesmo assim, o Copom observa que “a inflação de serviços ainda se mostra mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.
O Comitê destaca ainda que “as expectativas de inflação permanecem acima da meta em todos os horizontes” e que o processo de desinflação requer “perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária”. Um dos trechos mais incisivos do documento afirma: “Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Essa avaliação reforça a visão de que o ciclo de juros altos não deve se encerrar tão cedo. A manutenção da taxa é vista como essencial para consolidar a trajetória de queda da inflação sem comprometer a credibilidade do Banco Central.
Política fiscal e cenário externo no radar
A ata do Copom voltou a alertar para os riscos associados à política fiscal doméstica. O colegiado apontou que o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, aliado ao aumento do crédito direcionado, pode elevar a taxa de juros neutra e reduzir a potência da política monetária. O documento ressalta a importância de políticas “previsíveis, críveis e anticíclicas”, e da harmonia entre a política fiscal e a monetária.
No cenário internacional, o BC avalia que a conjuntura segue incerta, citando a condução da política econômica nos Estados Unidos e o ambiente de tensão geopolítica. Segundo o texto, “persiste maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela”.
Vigilância e compromisso com a meta
Ao final, o Comitê reafirma o compromisso com a estabilidade de preços e sinaliza que continuará atento à evolução da economia. “O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, destaca o trecho final da ata.




