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O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, vem ganhando destaque internacional como modelo de inclusão financeira e eficiência digital. Utilizado por mais de 93% dos adultos brasileiros e atacado recentemente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o Pix tem conquistado elogios de instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e é hoje um exemplo de como um sistema público pode transformar o acesso a serviços financeiros.
Quem escreveu sobre isso foi o economista Paul Krugman, Nobel de Economia, em seu mais recente artigo intitulado “O Brasil inventou o futuro do dinheiro? E será que ele chegará algum dia aos Estados Unidos?” (tradução livre).
Enquanto o Brasil avança com planos de criar uma moeda digital de banco central (CBDC), os Estados Unidos caminham na direção oposta. Na semana passada, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou dois projetos de lei que não só barram a criação de uma moeda digital pública, como proíbem o Federal Reserve de sequer estudar o tema.
Segundo Krugman, a justificativa oficial dos republicanos, autores das medidas, é a preocupação com a privacidade dos cidadãos — temendo que uma moeda estatal digital leve a vigilância governamental.
No entanto, críticos apontam que o verdadeiro temor seria a concorrência com os bancos privados e empresas de tecnologia financeira, cujos lucros dependem dos sistemas atuais de cartões e transferências.
“Se já temos um sistema digital para os bancos, por que não oferecê-lo ao público em geral?”, questionam economistas favoráveis à CBDC, segundo Krugman, lembrando que instituições financeiras americanas já mantêm contas diretas no Fed com movimentação eletrônica em tempo real.
Pix entrega o que as criptomoedas prometeram
O Nobel de Economia lembra ainda que, de acordo com relatório recente do FMI, o Pix liquida transações em cerca de 3 segundos, contra 2 dias no débito e até 28 dias no crédito. Para o consumidor comum, o serviço é gratuito; para comerciantes, a taxa gira em torno de 0,33% por transação, bem abaixo das cobradas por operadoras de cartões.
Além disso, o sistema tem sido apontado como mais seguro e socialmente responsável do que as criptomoedas, que, apesar das promessas de inclusão, são usadas por apenas 2% dos norte-americanos para pagamentos — e frequentemente associadas a golpes ou crimes cibernéticos.
No Brasil, a iniciativa pública, segundo ele, conseguiu atingir escala nacional sem a necessidade de tecnologia blockchain, mostrando que não é preciso descentralização extrema para garantir eficiência e segurança.
Interesses políticos e econômicos travam avanço nos EUA
Krugman diz ainda que, mesmo com exemplos de sucesso em países como o Brasil, a criação de uma moeda digital oficial nos EUA esbarra em dois obstáculos principais: a influência da indústria financeira, que teme perder espaço e lucros, e a ideologia política da direita, que enxerga com desconfiança qualquer protagonismo do Estado.
Durante o governo Trump, chegou-se a afirmar que o próprio Pix poderia ser interpretado como concorrência desleal às empresas de cartões americanas. A visão predominante entre republicanos é que soluções públicas sempre serão inferiores às privadas, independentemente da realidade.
Brasil na vanguarda digital
Diante do impasse nos EUA, outros países vêm olhando para o modelo brasileiro como referência, de acordo com Krugman. O Banco Central do Brasil, além de expandir o Pix, já discute a implantação do Drex, sua moeda digital oficial, ainda em fase de testes.
O contraste com os Estados Unidos é nítido: enquanto o Brasil lidera a digitalização pública dos pagamentos, os americanos seguem presos a interesses corporativos e debates ideológicos, abrindo mão de uma ferramenta que poderia democratizar o acesso ao sistema financeiro.
Fonte: ICL Notícias




