No último dia de 2025, Adam Mosseri, líder do Instagram, publicou uma série de slides na própria plataforma afirmando que a “autenticidade se tornou algo infinitamente reproduzível”. A IA gera imagens hiperrealistas em segundos e assim fotos e vídeos deixaram de ser prova de verdade.
A solução proposta por ele é, em vez de marcar algo como sintético, marcar o que é real. Mais do que um discurso celebrando a originalidade dos usuário, isso soa como se o Instagram quisesse se posicionar como árbitro da autenticidade digital.
A questão é que credibilidade, como bem sabem os jornalistas, não se decreta, se constrói. Dificilmente plataformas que passaram anos priorizando viralidade sobre qualidade inspirarão confiança para esse papel.
Discordo que autenticidade seja facilmente reproduzível, como disse Mosseri. Pelo contrário, autenticidade é justamente tudo o que sistemas automatizados não podem copiar. Veremos uma busca por crueza, pelo erro, pelo traço humano, mais do que o polimento sintético.
Mesmo assim, autenticidade não é uma estética. Veremos a ascensão dos curadores, uma valorização das pessoas por trás dos perfis, uma importância maior para quem está compartilhando algo e não apenas o que está sendo compartilhado.
Saber de onde vem a informação, quem pesquisou, que interesse está por trás, já é essencial para navegar feeds saturados de porcaria digital. Até porque, o anunciado caos causado pela IA se materializou.
Deepfakes distorcem evidências de crimes. Músicas 100% geradas por IA viralizam no TikTok e ninguém consegue definir o autor. Pessoas caindo em boato virais. O que era uma possibilidade já se tornou rotineiro.
A reação também já começou. Uma pesquisa no Reino Unido mostrou que metade dos frequentadores de boates acha que celulares estão estragando a pista de dança. A buscas por hobbies analógicos subiram 136% em seis meses nos EUA. Pessoas trocam Spotify por iPod, compram câmeras de filme, enchem aulas de tricô. A Forbes aponta 2026 como “ano do analógico”, não por nostalgia, mas por exaustão. Desligar virou luxo.
Em meio a esse ruído, a saída é escolher quem seguimos e verificar informações. Escolher muito bem para o que damos nossa atenção é o novo imperativo.




