O ex-deputado federal Victório Galli, autor de um projeto de lei que propunha retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, integrou o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República. A informação voltou ao debate em meio à repercussão de publicações que associaram a proposta ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007 em dezembro de 2007, quando era deputado federal pelo então PMDB de Mato Grosso. O texto propunha alterar a Lei 6.802/1980, responsável por estabelecer o feriado nacional de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta também previa mudar a referência a “culto público e oficial” para “homenagem oficial”.
O argumento apresentado por Galli era de que, por ser um Estado laico, o Brasil não deveria ter uma padroeira oficial. O projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e acabou arquivado em agosto de 2008.
Galli ocupou cargo no governo Bolsonaro
Mais de uma década depois da apresentação do projeto, Galli se aproximou do grupo político de Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2019, durante o primeiro ano do governo, foi nomeado assessor especial da Presidência da República e passou a atuar na articulação entre o Executivo e a Câmara dos Deputados, na estrutura da Casa Civil, então comandada por Onyx Lorenzoni.
O ex-deputado permaneceu no cargo por cerca de quatro meses. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial da União em junho daquele ano e ocorreu a pedido, segundo o ato oficial.
A passagem de Galli pelo governo Bolsonaro ganhou nova atenção após o antigo projeto voltar a circular nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026.
Projeto foi associado a Flávio Bolsonaro
Nos últimos dias, publicações nas redes passaram a atribuir a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto, porém, foi apresentado por Galli em 2007, quase 12 anos antes de ele assumir o cargo no governo Jair Bolsonaro, e foi arquivado em 2008.
Flávio Bolsonaro negou ter relação com a proposta e afirmou que não pretende alterar o título concedido à santa. A repercussão levou inclusive à circulação de correções e desmentidos sobre a autoria do projeto.
Galli, atualmente filiado ao PP, tenta retornar à Câmara dos Deputados por Mato Grosso nas eleições de 2026.





