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quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Banco Pleno oferecia CDBs com retorno de 110%


A liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., anunciada pelo Banco Central do Brasil nesta Quarta-Feira de Cinzas (18), reforça o ambiente de instabilidade no segmento de instituições financeiras de médio porte que apostaram em captações com rentabilidade acima da média do mercado. Assim como outras instituições que enfrentaram intervenção recente do BC, o Pleno oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração de 110% do CDI para prazos de até 36 meses, acima dos 100% usualmente praticados por grandes bancos.

Após as liquidações do Banco Master, em novembro, e do Will Bank, em janeiro, esses papéis passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas ainda mais elevadas, chegando a 165% do CDI em alguns casos — reflexo da percepção de risco crescente entre investidores.

Dados do Banco Central indicam que, em setembro do ano passado, o Pleno possuía cerca de R$ 6,8 bilhões em passivos. Desse total, aproximadamente R$ 5,2 bilhões estavam alocados em CDBs, o equivalente a 81,6% dos depósitos a prazo da instituição. Outros R$ 760 milhões correspondiam a letras financeiras.

A elevada concentração em instrumentos de captação junto a investidores pessoa física tornou o banco mais vulnerável em momentos de estresse. Com a deterioração do ambiente após a liquidação do Master e o aumento das incertezas no conglomerado ao qual o Pleno esteve ligado, as novas emissões de CDBs perderam tração, comprometendo a liquidez.

Com a decretação da liquidação, ao menos 160 mil investidores — que não necessariamente eram correntistas, mas detinham títulos emitidos pelo banco — passam a ter direito à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em um total estimado de R$ 4,9 bilhões. Não há dados públicos atualizados sobre o número total de clientes da instituição.

Da origem no agronegócio à reestruturação

A trajetória do Pleno envolve uma sequência de transformações societárias. A instituição teve origem no Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 com foco no financiamento ao agronegócio e no crédito corporativo. Em 2007, realizou oferta pública inicial de ações e, nos anos seguintes, expandiu suas operações.

A partir de 2013, contudo, a carteira de crédito — concentrada em pequenas e médias empresas e no setor agropecuário, mais sujeito a ciclos econômicos — passou a apresentar deterioração. Aquisições realizadas naquele período ampliaram a estrutura do grupo, mas os resultados negativos persistiram.

Em 2019, uma cisão societária separou ativos problemáticos da operação principal, que passou a atuar sob a marca Voiter, com proposta de soluções digitais e estruturadas para empresas.

Posteriormente, o controle da instituição foi adquirido pelo Banco Master, operação aprovada pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2024.

Mudança de controle e aposta no varejo

Sob nova gestão, a estratégia passou a incluir maior presença no varejo, com foco em crédito consignado, considerado mais previsível em termos de fluxo de caixa. Em 2025, em meio a sinais de fragilidade do conglomerado, o controle da instituição foi novamente transferido, e o banco passou a se chamar Pleno.

O novo controlador realizou aportes de capital que somaram cerca de R$ 160 milhões e manteve ativos como a operação de crédito consignado. Ainda assim, segundo analistas do setor, a instituição teria herdado passivos relevantes da fase anterior, o que aumentou o desafio de estabilização financeira.

Disputas judiciais e ambiente adverso

Paralelamente às mudanças de controle, houve disputas judiciais envolvendo antigos controladores e o grupo comprador. A controvérsia incluiu investimentos em debêntures e alegações de descumprimento de pagamentos contratuais, o que ampliou a insegurança em torno da governança e da saúde financeira do conglomerado.

A sucessão de eventos — reestruturações, mudança de controle, dependência de captação com remuneração elevada e conflitos societários — compôs um cenário que, na avaliação de especialistas, dificultou a recuperação da confiança do mercado no Pleno.





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