Bandidos de Farda: documentário estreia com 200 mil views


Por Leila Cangussu

O documentário Bandidos de Farda, produção original do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), estreou neste domingo (17) mobilizando uma audiência de quase 200 mil pessoas nas transmissões realizadas pelo YouTube e Facebook. Ao todo, a exibição somou 197.011 visualizações nas plataformas, consolidando o lançamento como uma das maiores estreias já promovidas pelo ICL.

A transmissão reuniu Eduardo Moreira, Juliana Dal Piva e Chico Otávio em torno de uma investigação construída ao longo de sete meses e baseada em um conjunto inédito de documentos retirados do arquivo secreto do coronel Cyro Etchegoyen, ex-chefe da contrainformação do Centro de Informações do Exército (CIE) durante a ditadura militar.

Mas o impacto da série ultrapassou os números da estreia.

Desde o fim de abril, o ICL Notícias vinha publicando reportagens exclusivas baseadas em 23 pastas e cerca de 3 mil páginas de documentos públicos inéditos que estavam fora do acervo oficial do Exército brasileiro e foram mantidos ilegalmente por Cyro Etchegoyen até sua morte.

As revelações expuseram detalhes da engrenagem clandestina da repressão militar: operações de infiltração, assassinatos políticos, estupros, roubos praticados por agentes do CIE, desaparecimentos forçados e monitoramento de opositores políticos, incluindo o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva.

Material confidencial que mostra o monitoramento de Luiz Inácio Lula da Silva durante a ditadura militar
Material confidencial que mostra o monitoramento de Luiz Inácio Lula da Silva durante a ditadura militar. Foto: ICL Notícias

Entre os casos revelados pela investigação está a descoberta de uma nova vítima de estupro praticado por militares da ditadura: Marilene dos Santos Mello, sequestrada e violentada em 1969 por agentes do CIE. O caso apareceu em documentos internos produzidos pelo próprio aparato repressivo e guardados no arquivo secreto do coronel.

A investigação também revelou um relatório interno que detalha a atuação de agentes infiltrados do CIE e aponta operações que resultaram em dezenas de mortes, desaparecimentos e prisões políticas. O documento registra, inclusive, a lógica usada pela ditadura para cooptar agentes duplos: “a colaboração ou a morte”.

Já a série sobre a contabilidade clandestina do CIE mostrou que o órgão gastou o equivalente a cerca de R$ 1 milhão em valores atuais para financiar operações ilegais de repressão política entre 1969 e 1974.

Caderno de contabilidade de Cyro Etchegoyen com dados de gastos com o agente infiltrado “cabo Anselmo” e com operações para assassinar opositores
Caderno de contabilidade de Cyro Etchegoyen com dados de gastos com o agente infiltrado “cabo Anselmo” e com operações para assassinar opositores. Foto: ICL Notícias

Revelações podem reabrir investigações

O impacto internacional das reportagens já começou.

Em entrevista publicada pelo ICL Notícias, o relator especial da ONU para Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição, Bernard Duhaime, afirmou que as revelações feitas pela série Bandidos de Farda exigem a reabertura de investigações sobre crimes cometidos pela ditadura militar brasileira.

Segundo Duhaime, os documentos reforçam que:

Os documentos reiteram que foram crimes massivos que ocorreram no Brasil, e não casos isolados. Portanto, reafirma-se que anistias não podem ser aplicadas. Era parte de uma estratégia para perseguir a população civil. São crimes internacionais que a anistia não pode ser aplicada.

Primeira edição impressa da Revista Liberta

O lançamento do documentário também marcou a chegada da primeira edição impressa da Revista Liberta, dedicada justamente à investigação sobre os “Bandidos de Farda”.

capa da edição impressa da revista liberta
Primeira edição impressa da Revista Liberta reúne os bastidores e as revelações da investigação “Bandidos de Farda” sobre os arquivos secretos da ditadura militar brasileira

A edição histórica começou a ser oferecida exclusivamente para novos assinantes do plano vitalício do ICL, que garante acesso permanente ao ecossistema de conteúdos da plataforma.

Com reportagens, bastidores da investigação e análises inéditas sobre os documentos do arquivo Etchegoyen, a edição impressa transforma em registro físico uma das maiores investigações jornalísticas já conduzidas pelo ICL Notícias.

Assine o plano vitalício do ICL e receba em casa a primeira edição impressa da Revista Liberta, dedicada à investigação que expôs os arquivos secretos da ditadura. Uma edição histórica, feita para guardar, revisitar e lembrar por que certos documentos nunca poderiam continuar escondidos.





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