Por Cleber Lourenço
O bloco Acadêmicos da URSAL promete agitar o carnaval de rua de São Paulo em 2026 com um desfile que combina ritmos latinos, marchinhas clássicas, composições autorais e versões socialistas de sucessos populares. Criado a partir de uma brincadeira com o termo União das Repúblicas Socialistas da América Latina, que ganhou projeção no debate político brasileiro em 2018, o grupo se consolidou como um dos blocos mais politizados e engajados do carnaval paulistano.
O desfile está marcado para o dia 7 de fevereiro, com concentração a partir das 13h e saída prevista para as 14h, na Rua Fortunato, 134, no bairro de Santa Cecília, região central da capital paulista. O percurso inclui as ruas Canuto do Val, Martim Francisco e Frederico Abranches, com dispersão estimada para as 18h.
A edição deste ano é tratada pelos organizadores como a maior e mais estruturada da história do bloco. Houve aumento no número de ensaios e reforço no investimento em infraestrutura para o desfile. A bateria foi ampliada, assim como o número de cantores e integrantes da harmonia, além da inclusão de músicas inéditas preparadas especialmente para o carnaval de 2026.
Um dos criadores e organizadores do bloco, Igor Fediczko destaca que, apesar das mudanças profundas no carnaval de rua da capital paulista ao longo dos últimos anos, a proposta política do Acadêmicos da URSAL permanece a mesma.
“Já faz mais de uma década que saímos no carnaval. Muita coisa mudou na organização do carnaval de São Paulo. O trajeto mudou, a quantidade de blocos nas ruas quadruplicou e a logística é diferente. Mas o carnaval continua mesmo com Ricardo Nunes jogando contra. O que permanece é unir folia com crítica política de uma forma divertida e que junta um monte de gente interessado em sair fantasiado com trajes progressistas no carnaval”, afirma.

Para integrantes do bloco, o carnaval de rua é também um espaço de disputa política e afirmação cidadã. Kaline Castro,mestra de bateria do Acadêmicos da URSAL, define o desfile como um ato coletivo de resistência cultural e ocupação do espaço público.
“O carnaval de rua é um movimento político potente. Nós reivindicamos o direito, como cidadãos, de ocupar as ruas, nos expressar e ser resistência cultural brasileira. É a possibilidade de expressar o que pensamos junto de pessoas que compartilham das nossas ideologias e da paixão pelo carnaval, em uma festa bonita e organizada. Nós, do Acadêmicos da URSAL, procuramos fazer isso da forma mais sincera possível: fazer uma festa com muita resistência, humor, acolhendo quem quer chegar junto e celebrar com a gente, sem distinção e preconceitos. A gente defende causas, quebra barreiras sociais, fortalece a democracia e o direito à cidadania, movimenta o comércio local e protesta em forma de festa”, diz.
Mesmo diante dos desafios logísticos enfrentados na organização do carnaval de rua em São Paulo, a expectativa do grupo é de um desfile mais organizado e com maior participação do público. A ampliação da estrutura busca garantir melhor qualidade sonora e segurança durante o cortejo.
Mais do que um bloco carnavalesco, o Acadêmicos da URSAL se consolidou como um espaço de manifestação política. O grupo aborda de forma direta temas políticos e sociais, utilizando o humor, a sátira e a paródia como ferramentas para defender pautas da esquerda e provocar reflexão entre os foliões. Ao longo dos anos, o bloco também se tornou um espaço de convivência e articulação entre seus integrantes, frequentemente descrito como uma “família” unida por afinidades políticas e culturais.
Como participar
Data: 7 de fevereiro (sábado)
Concentração: 13h
Saída: 14h
Local: Rua Fortunato, 134 – Santa Cecília (SP)
Percurso: Rua Fortunato, Rua Canuto do Val, Rua Martim Francisco e Rua Frederico Abranches
Dispersão prevista: 18h
Entrada: gratuita e aberta ao público
Mais informações: Instagram @academicosdaursal




