O Ibovespa, principal índice de ações da B3, a Bolsa brasileira, encerrou o pregão de terça-feira (2) em alta de 1,56%, aos 161.092 pontos, atingindo novo recorde histórico. No acumulado de 2025, a valorização chega a 33,9%. Em dólar, o avanço é ainda mais expressivo: a cotação da moeda norte-americana recuou 0,52%, a R$ 5,33, elevando a alta do índice em moeda estrangeira para 55%, reflexo do interesse crescente de investidores internacionais pelo Brasil.
O desempenho ocorre mesmo com a taxa básica de juros (Selic) no maior patamar em quase 20 anos, a 15% ao ano, o que tradicionalmente reduz a atratividade da bolsa frente a investimentos de menor risco.
Especialistas atribuem o bom momento da Bolsa brasileira a fatores globais e à expectativa de queda da taxa básica de juros, a Selic, em 2026. Índices de outros mercados emergentes registram valorização semelhante, e investidores se antecipam a condições mais favoráveis para ações no país.
Após a saída de R$ 32 bilhões em investimentos estrangeiros em 2024, o acumulado de 2025 mostra entrada de R$ 27,3 bilhões.
Enfraquecimento do dólar ajuda movimento
Nos Estados Unidos, a política econômica sob o governo Trump e o aumento de tarifas contribuem para o enfraquecimento do dólar. Desde janeiro, um índice que mede a moeda norte-americana frente a seis divisas fortes registra queda de 9%. Com isso, investidores globais buscam diversificação, aumentando aplicações em mercados emergentes.
A expectativa de cortes na taxa básica de juros dos EUA pelo Federal Reserve, o banco central estadunidense, na última reunião do ano, que acontece na semana que vem, reforça esse movimento.
Com o dólar fraco, investidores buscam mercados com retornos mais altos, como os emergentes, incluindo o brasileiro.
Além disso, a perspectiva de redução da taxa Selic no Brasil aumenta a atratividade da Bolsa. Segundo projeções de analistas, desde os anos 2000, cortes de juros no país costumam elevar o índice em cerca de 18% nos seis meses seguintes.




