Bonito (MS) inaugura calçada da fama em homenagem ao cinema


A atriz paraguaia Ana Brun, homenageada neste ano pelo Festival de Cinema Sul-Americano (Cinesur), deixou nesta segunda-feira (28) a marca de suas mãos para a posteridade. Premiada no Festival de Berlim com o Urso de Prata de melhor interpretação feminina pelo filme As Herdeiras, Ana Brun foi a primeira artista a figurar na calçada da fama de Bonito (MS).


Ana Brun deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS)
Ana Brun deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS)

Ana Brun deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS) – Elaine Patrícia Cruz/Agência Brasil

Chamada de Calçada das Pegadas da Memória do Cinema Sul-Americano, foi inspirada na famosa calçada de Los Angeles, nos Estados Unidos. Mas tem uma pegada mais pantaneira: ao lado das mãos da atriz está uma imagem das patas de um tamanduá-mirim, animal da fauna do bioma.

“Estou muito emocionada. Orgulhosa e feliz”, disse a atriz à Agência Brasil. “Me encanta a ideia do prefeito [de Bonito] deixar uma impressão digital neste lugar de proteção aos animais do Pantanal”, acrescentou.

A proposta da calçada da fama de Bonito une natureza, arte e memória.

O gesto, segundo o diretor do Cinesur, Nilson Rodrigues, simboliza a convivência entre seres humanos e o meio ambiente. 

“Andamos juntos com os outros seres vivos do planeta”, afirmou, durante evento em que cinco personalidades do audiovisual sul-americano deixaram as mãos marcadas em placas.

“Ao longo dos anos, nós vamos registrar aqui em Bonito esses artistas sul-americanos, brasileiros e sul-mato-grossenses que fazem a história do cinema e do audiovisual. Nós vamos ter as patas dos animais ao lado das patas humanas. Como nós estamos em Bonito, esse paraíso ecológico, nós vamos dizer que os humanos e os animais caminham juntos. É isso que tem significado para o planeta. Nós não estamos descolados, nós somos uma coisa só. Nós precisamos salvar o planeta”, disse Rodrigues.

Segundo ele, a calçada da fama será sobretudo um espaço de memória para a cidade. “Temos que ter compromisso com a memória, com a nossa trajetória, com o registro daquilo que é a nossa cultura, daquilo que é simbólico e que é tão importante”.

Neste ano, 11 personalidades do audiovisual sul-americano e que estão participando do Cinesur vão deixar suas marcas nas placas de cimento, que depois serão transportadas para a Praça da Liberdade, no centro da cidade de Bonito.

“Nossa praça vai ser toda revitalizada no futuro e nós vamos ter a calçada da fama nessa praça”, contou o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues. 

Os primeiros a deixarem as marcas nas placas, logo depois da atriz Ana Brun, foram os atores brasileiros Antônio Pitanga e Maeve Jinkings, o distribuidor independente Jean Thomaz Bernardini e a professora e produtora Cecilia Diez.

Ao longo desta semana, também serão homenageadas outras personalidades: o artista local Humberto Espíndola, a atriz Claudia Ohana, o ator Thiago Lacerda, o cineasta José Eduardo Belmonte, o documentarista Aurélio Michillis e o diretor e roteirista Luiz Carlos Lacerda.

“Bonito vai ser a capital do cinema no futuro”, destacou o prefeito da cidade.


Antônio Pitanga deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS)
Antônio Pitanga deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS)

Antônio Pitanga deixa marca na calçada da fama de Bonito (MS) – Elaine Patrícia Cruz/Agência Brasil

“Aqui está se inaugurando o coração do cinema em Bonito. Para mim, é uma marca não só das mãos, mas também do coração. Já que não posso colocar meu coração, coloquei minhas mãos”, disse o ator Antônio Pitanga à Agência Brasil.

A atriz Maeve Jinkings também se emocionou. “Eu achei esse projeto tão inteligente, porque brinca, evidentemente, com o imaginário de qualquer cinéfilo em relação a Hollywood. E eu acho que ela transpõe esse imaginário com uma identidade muito local, muito própria, trazendo não apenas esse imaginário das mãos da nossa espécie, mas também de outras espécies, resgatando a nossa memória sobre uma diversidade da fauna que a gente esquece com muita facilidade”, disse.

“Isso me toca muito. Sei que é um assunto que facilmente gera desconforto, mas ambientalismo é um tema que guia muitas das minhas decisões cotidianas. É uma coisa que me inquieta muito, então fico muito feliz de ver um festival se organizando em torno de uma ideia que saúda o meio ambiente dessa maneira”, acrescentou a atriz.

As placas são feitas de ferro e de um cimento especial, onde a marca das mãos de cada uma das personalidades é gravada, junto de sua assinatura. Na placa, há ainda uma foto do artista, acompanhada pelo nome e a data em que foi gravada. Logo abaixo da foto do artista, há uma pegada de um animal, acompanhado dos nomes popular e científico.

* A repórter viajou a convite do Festival de Cinema Sul Americano Bonito Cinesur 2025.



Fonte: Agência Brasil de Notícias

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