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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o governo federal não pretende retaliar os Estados Unidos após a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros por parte do presidente Donald Trump. Segundo Haddad, o foco está em medidas de proteção à indústria nacional e ao agronegócio, buscando “atenuar os efeitos” econômicos da medida americana.
“São ações de proteção da soberania, da nossa indústria, do nosso agronegócio. Essa palavra ‘retaliação’ nunca foi usada pelo presidente nem por ministros”, afirmou o ministro.
Apesar de a Lei da Reciprocidade, sancionada por Lula em abril, permitir respostas comerciais a práticas injustas, o governo indicou que priorizará a via diplomática e os canais multilaterais, como a OMC (Organização Mundial do Comércio) e a Justiça dos EUA.
Na última quarta-feira (30), Trump assinou uma ordem executiva que impõe tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, embora tenha concedido 700 exceções, beneficiando setores como o aeronáutico, energético e parte do agronegócio.
Com isso, cerca de 45% das exportações ao mercado americano ficaram de fora da sobretaxa. Ainda assim, 35,9% das vendas externas foram diretamente atingidas, incluindo itens como café, carnes e pescados.
O decreto entrará em vigor no dia 6 de agosto, abrindo uma janela de tempo para novas negociações.
Haddad vai retomar conversas com secretário do Tesouro
Com o recuo parcial dos EUA, o Planalto avalia que ainda há margem para negociação. Emissários do governo mapeiam autoridades americanas dispostas a abrir diálogo. A estratégia é manter conversas em diferentes frentes:
- Fernando Haddad deve retomar conversas com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Um novo encontro entre ambos já está sendo articulado.
- O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, seguirá em diálogo com o secretário de Comércio de Trump, Howard Lutnick, com foco no impacto setorial das tarifas.
“Haverá agora uma rodada de negociações e vamos levar às autoridades americanas o nosso ponto de vista”, disse Haddad.
Interlocutores acreditam que os EUA tendem a ceder gradualmente, como ocorreu em negociações anteriores com outros países.
Crédito e proteção ao emprego
Diante dos impactos esperados em setores estratégicos, o governo brasileiro prepara um plano emergencial de resposta econômica, com lançamento previsto para os próximos dias. A proposta deve incluir:
- Subsídio ao crédito para empresas exportadoras afetadas
- Medidas de preservação do emprego, como já adotado no plano de apoio ao Rio Grande do Sul
- Possível exclusão do impacto fiscal dessas ações das metas do resultado primário, repetindo o modelo aplicado à tragédia climática no sul
“Queremos o menor impacto possível. Pode ser que fique fora da meta, como no caso do Rio Grande do Sul”, disse Alckmin.
Tarifa é vista como ação política
Para o governo, a decisão de Trump tem motivação política e ocorre em um momento de intensificação da retórica protecionista nos EUA. Haddad classificou a medida como “deliberadamente política” e afirmou que o Brasil buscará respostas nos fóruns apropriados, sem abandonar o pragmatismo.
Enquanto isso, a estratégia é proteger empregos, manter a estabilidade industrial e seguir pressionando por ajustes no decreto americano.
Fonte: ICL Notícias




