Brasil diz aos EUA que tarifaço é injusto e discriminatório


Por Marcos Hermanson

(Folhapress) – Representantes do governo brasileiro disseram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (31), na primeira reunião bilateral após o anúncio do tarifaço de julho, que o tratamento dispensado ao país pela Casa Branca é injusto e discriminatório.

Segundo nota divulgada pelo governo federal, os ministros reiteraram “que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.

As duas partes concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial, em encontro ainda sem data, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e nas reuniões de nível técnico que devem acontecer nas próximas semanas.

Os ministros Márcio Elias Rosa (Indústria) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) conversaram nesta segunda com o diplomata Jamieson Greer, que chefia o Escritório do Representante de Comércio da Casa Branca, órgão responsável por recomendar as tarifas punitivas de 25% e 12,5% contra o Brasil em julho.

Como mostrou a Folha de S. Paulo , o governo brasileiro chegou às negociações bastante cético em relação à possibilidade de um acordo, mas temendo uma espécie de tarifaço permanente caso o impasse com os americanos se prolongue.

Um auxiliar do presidente lembra que as barreiras comerciais sobre o aço e o alumínio implementadas em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, não foram revogadas pelo sucessor, Joe Biden. O risco seria que as tarifas da Seção 301 implementadas em julho seguissem o mesmo caminho, com impactos ainda mais graves.

São duas as tarifas aplicadas pelos EUA contra o Brasil. Uma primeira, de 25%, por supostas práticas comerciais desleais. E uma segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado -esta última substituiu a tarifa global de 10% que vigorou até julho.

Essas duas sobretaxas atingem ao mesmo tempo 3.985 produtos, ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Neste mês, o governo brasileiro deu início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite à União retaliar medidas comerciais aplicadas por outros países de forma injusta ou desproporcional. Nesta primeira etapa, o governo procurou os EUA e abriu consultas com diferentes ministérios da Esplanada, que se manifestarão sobre o tema.





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