2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.
A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.
Palácio do Planalto ainda acredita que a tentativa da extrema direita dos EUA de impedir a reeleição de Lula será “pesada” em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.
“Vão jogar pesado”, alertam assessores em Brasília.
A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas de Brasília, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.
O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.
Brasília admite que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com o chavismo.
Mas governo vê dificuldades que aliados de Jair Bolsonaro tenham êxito. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado est fora de jogo, por enquanto, e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.
O Planalto ainda espera que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas.
Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do governo Trump que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.
A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.
O Planalto indicou que vai continuar a insistir que não haja um segundo ataque e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.
Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um
espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.




