Brasil vai negociar tarifas com a China


O governo federal anunciou que iniciará negociações com a China para reduzir os impactos da taxação sobre a carne bovina brasileira, medida que entrou em vigor na quinta-feira (1º) e terá validade de três anos. O país asiático impôs cotas anuais de importação, que limitam o volume de carne isenta de tarifas adicionais e aplicam uma sobretaxa de 55% para exportações que excederem o limite.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo atuará de forma coordenada com o setor privado e manterá diálogo tanto em nível bilateral quanto no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), buscando proteger trabalhadores e produtores brasileiros.

A decisão chinesa cria uma cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026, aumentando gradualmente para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.

Atualmente, o país já exportou, até novembro, 1,499 milhão de toneladas ao mercado chinês, faturando US$ 8,028 bilhões. Outros grandes exportadores, como Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, também terão suas vendas limitadas por cotas proporcionais à participação de cada país nas importações chinesas.

Impactos e estratégia brasileira

De acordo com a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), a medida chinesa pode representar uma perda de até US$ 3 bilhões em 2026, comprometendo o crescimento do setor, que deve superar US$ 18 bilhões em exportações neste ano. Por isso, a entidade defende uma atuação diplomática intensa, incluindo a abertura de novos mercados.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil proporá à China a flexibilização das cotas, possibilitando que o país aprove fatias não utilizadas por outros exportadores. “Se o nosso preço é competitivo e a carne de qualidade, isso ajuda a conter a inflação de alimentos na China”, disse ao Estadão/Broadcast. Ele acrescentou que o processo será gradual e envolverá diálogo constante ao longo de 2026.

Fávaro também destacou que não há surpresa com a medida, pois o tema vinha sendo discutido bilateralmente. Ele ressaltou que a salvaguarda chinesa tem caráter de proteção aos produtores locais e não impacta imediatamente o mercado brasileiro, que já tem alternativas em novos destinos comerciais, como México, Vietnã, Malásia e, futuramente, Japão.

O governo brasileiro descartou acionar a OMC contra a medida, mantendo a estratégia de cooperação e negociação.

A China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, representando cerca de 50% das exportações do setor em 2025.





ICL – Notícias

Amazonas Repórter

Tudo

Moraes veta trabalho no Exército para dois militares condenados por tentativa de golpe

Por Cleber Lourenço O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),...

Nadadora amazonense fatura bronze no JUBs Praia 2025

Medalha foi conquistada pela estreante na competição, Kathleen Amaral, na modalidade Águas abertas Participando pela primeira vez dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) Praia, a...

Olhando para o futuro – ICL Notícias

É tão bonito olhar para além desta quadra histórica em que parecia...