Brasil vira quinto maior destino de investimentos do mundo


O fluxo de investimentos externos no Brasil subiu de forma importante e colocou o país entre os cinco maiores destinos do capital externo em 2025. Os dados foram publicados nesta terça-feira pela ONU, em Genebra, e revelam um papel central da China na expansão dos investimentos no país.

No total, o Brasil recebeu mais investimentos que boa parte dos países do G7. Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão aparecem abaixo da economia brasileira no ranking divulgado pelas Nações Unidas. Apenas os EUA, entre os países do G7, supera o Brasil.

Em 2024, o Brasil ocupava a 6a colocação no mundo, com US$ 63 bilhões. No ano passado, o volume chegou a US$ 77 bilhões.

Segundo a ONU, “o investimento anunciado em novos projetos aumentou para cerca de US$ 69 bilhões, impulsionado por grandes projetos em tecnologia de comunicação, principalmente um investimento em data centers de mais de US$ 40 bilhões pela ByteDance (China), bem como pela continuidade das atividades em energia renovável”.

Dos dez maiores projetos de investimentos na América Latina em 2025, o Brasil foi responsável por oito deles.

O ranking global é liderado pelos EUA, com US$ 277 bilhões, Cingapura, com US$ 151 bilhões, Hong Kong, com US$ 116 bilhões, e a China, com US$ 105 bilhões.

Pelos dados da ONU, a economia britânica recebeu US$ 75 bilhões, um pouco abaixo do Brasil. Na Alemanha, foram US$ 74 bilhões, contra US$ 67 bilhões destinados ao Canadá.

Argentina de Milei desaba

No total, o investimento estrangeiro direto aumentou 14% na América Latina, atingindo US$ 188 bilhões em 2025. “O Brasil foi responsável por grande parte desse aumento”, destacou a ONU.

De acordo com o Relatório de Investimento Mundial 2026 da Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, o fluxo para a região representou aproximadamente um quinto de todos os volume de investimentos para economias em desenvolvimento.

“O aumento foi impulsionado principalmente pela América do Sul, em especial pelo Brasil, enquanto os investimentos ligados a commodities e setores que apoiam a transição energética continuaram a atrair o interesse dos investidores”, destacou.

Para a ONU, porém, por trás dos números expressivos, esconde-se uma história mais complexa. Grande parte do aumento concentrou-se em um pequeno número de países e transações, enquanto os indicadores de investimento produtivo futuro enfraqueceram.

Na Argentina, o fluxo de investimentos caiu em mais de 56%. Em 2025, o país recebeu apenas US$ 4 bilhões em capital estrangeiro, menos que a Guiana, Costa Rica ou República Dominicana.

As 10 principais economias receptoras foram responsáveis ​​por 95% de todos os fluxos na América Latina e no Caribe em 2025. Brasil e México, juntos, representaram cerca de dois terços do total dos fluxos regionais, demonstrando como as tendências regionais foram fortemente influenciadas por algumas grandes economias e um número limitado de grandes projetos.

Além do Brasil, o México também permaneceu um dos principais destinos da região, com fluxos subindo de cerca de US$ 38 bilhões para US$ 41 bilhões, impulsionados por seu papel nas redes de produção regionais e pelo investimento contínuo em serviços e manufatura.

Os maiores fluxos de investimento estiveram ligados a grandes mercados, commodities, setores conectados à transição energética e economias integradas às principais redes de comércio e produção. Mas esses fatores não se traduziram em um aumento significativo de novos projetos produtivos em toda a região.

“Esses números apontam para a contínua confiança dos investidores nos maiores mercados da região. Eles também destacam um desafio persistente: o aumento dos fluxos regionais não se traduz automaticamente em ganhos generalizados em todos os países ou setores”, alertou.





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