Câmara Americana vê espaço para negociação de nova tarifa


A recomendação do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros acendeu o alerta no setor produtivo, mas o cenário ainda não é definitivo. Em análise divulgada nesta terça-feira (2), a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil) apontou que o relatório preliminar do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) reconhece avanços recentes no diálogo bilateral, deixando aberta uma janela de negociação crucial para evitar as sanções.

A ofensiva de Washington ocorre no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que acusou o Brasil de práticas “não razoáveis” e injustas em relação ao comércio dos EUA. O relatório definitivo e a decisão final estão programados para o dia 15 de julho.

A investigação estadunidense baseou-se em dois pilares principais que, segundo o USTR, prejudicam as empresas dos EUA:

  • Subsídio e Discriminação no Pix: O governo estadunidense alega que o Banco Central do Brasil favorece o sistema de pagamento instantâneo nacional de forma injusta, discriminando outros meios de pagamento, como as bandeiras de cartão de crédito originárias dos EUA.
  • Propriedade Intelectual e Falsificação: O documento aponta falhas crônicas do Brasil no combate à importação, distribuição e venda de produtos falsificados. O relatório cita nominalmente a Rua 25 de Março, em São Paulo, como exemplo do volume alarmante de pirataria no país.

Impacto econômico e as exceções estratégicas

Caso as tarifas de 25% sejam confirmadas após o período de consulta pública ao setor privado, o impacto será severo.

Conforme publicado na Folha de S.Paulo, Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, disse que a medida “aumentará custos, reduzirá a competitividade e criará obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais”.

No entanto, o próprio governo estadunidense calibrou a proposta inicial para proteger sua própria economia, criando uma lista de exceções para produtos dos quais os EUA dependem diretamente do fornecimento brasileiro, como o suco de laranja e as carnes.

Janela diplomática e novos riscos no horizonte

A Amcham destaca que o tom do relatório reflete a intensificação das conversas bilaterais após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em 7 de maio. Há uma expectativa de que o ambiente empresarial pressione ambos os governos a alcançarem um acordo antes do prazo final de julho.

Apesar do otimismo moderado na negociação do “tarifaço”, o ambiente comercial pode enfrentar novas turbulências nos próximos dias.

Resumo dos próximos passos e dados fundamentais:

  • Prazo final de negociação: Até 15 de julho de 2026, data da publicação do relatório definitivo do USTR.
  • Alíquota proposta: Tarifa adicional de 25% sobre produtos selecionados (excluindo carnes e suco de laranja).
  • Segunda investigação em curso: O mercado aguarda a divulgação de um outro relatório norte-americano sob a Seção 301, focado em importações de produtos ligados ao trabalho forçado.
  • Abrangência do novo risco: Esta segunda frente de investigação pode impor tarifas adicionais a cerca de 60 países, incluindo o Brasil.





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