Mais uma vez as culturas africanas vão desfilar na passarela do samba. Seja nas suas traduções de suas ressignificações em solo Americano ou com a exaltação das suas espiritualidades, o continente África sempre está presente em uma das maiores festas populares do mundo, o carnaval.
Cá do meu canto, de pesquisador e também sacerdote do candomblé e do culto de Ifá, vejo e compreende os enredos das escolas de samba como um convite para o conhecimento sobre as culturas populares brasileiras e, principalmente, um chamado a promoção da Lei 10.639/03 e 11.645/08.
As manifestações dos carnavais no Brasil, por tradição, vão além das festas e diversões.
Trazendo com maestria reflexões pontuais sobre a importância das culturas populares como veículo de construção das nossas identidades nacionais.
Temas que vem fortalecendo as nossas resistências cotidianas e alimentando as nossas lutas coletivas. Afinal, não é esse o papel da arte? Nos levar à compreender o que poderia passar despercebido dentro das nossas relações cotidianas !
E é justamente esse o papel que as escolas de samba, por meio dos seus enredos, vem fazendo a cada ano .
Esse ano, teremos a Beija-Flor de Nilópolis, com o um enredo foca em nós contar sobre o Bembé do Mercado, destacando o candomblé de rua. A Paraíso do Tuiuti, com o enredo”Lonã Ifá Lukumi”, que vai abordando e levar para a passarela do samba a tradições iorubás e afro-cubanas. A escola Unidos de Vila Isabel, que levará como tema “Macumbembê, Samborembá”, concentrando a sua narrativa sobre a importância da ancestralidade e religiosidade. Já a Portela, vai homenagear Custódio Joaquim de Almeida, um importante personagem histórico na tradição do Batuque afro-gaúcho.
Assim, os sambas enredos dentro dos carnavais, criados e traduzidos pela Nossa Gente, comcumprem com excelência o papel atividade de questionamentos sociais, promoção da cultura, da tolerância e da liberdade religiosa.




