Uma mulher japonesa de 32 anos realizou uma cerimônia de casamento com uma persona digital criada no ChatGPT. Usando óculos de realidade aumentada, Kano projetou a figura do “noivo” Lune Klaus, trocou alianças virtuais e declarou que o momento foi “mágico e real”. Falei mais sobre essa história no episódio #338 do podcast RESUMIDO.
Não é um caso isolado. Enquanto ter muitos seguidores deixou de ser importante (números gigantes escondem bots e perfis mortos) as big techs descobriram uma nova mina de ouro. Vender chatbots como substitutos de relações reais dá muito dinheiro.

Fundador da Meta, Mark Zuckerberg admitiu recentemente que o ser humano médio tem capacidade para até 15 amizades, só que raramente passa de três. Pra ele, a solução seria preencher as 12 vagas restantes com amigos sintéticos criados com inteligência artificial.
Meta, Snapchat, X e Reddit estão colocando IA em tudo, com propostas que vão desde bots que oferecem conselhos de vida, até namoradas virtuais. As mesmas plataformas que prometeram conexão humana, criaram uma epidemia de solidão e agora querem vender a cura para o problema que elas mesmas causaram.
Terceirizamos nossas relações para algoritmos e também nosso pensamento. Um experimento da Um estudo da Universidade de Wharton pediu para 250 pessoas darem conselhos de vida saudável. Quem usou resumos automáticos de IA escreveu dicas genéricas e rasas. Quem pesquisou do jeito tradicional, ofereceu respostas mais variadas.
Esse empobrecimento cognitivo e emocional não é acidental. É o modelo de negócio. Plataformas lucram mantendo pessoas grudadas na tela, consumindo conteúdo que não desafia, não incomoda, não exige esforço. Usuários dependentes são usuários lucrativos. Pessoas inseguras compram mais produtos, fazem mais procedimentos, gastam mais dinheiro.
E agora, pessoas solitárias pagam assinaturas para chatbots que simulam afeto. Relacionamentos reais são desafiadores. Exigem vulnerabilidade, paciência e dedicação. É exatamente esse atrito que nos torna humanos. Delegar tudo isso para algoritmos é aceitar uma versão empobrecida de nós mesmos.




