O Delegado-Geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que está tendo a conduta no caso do cão Orelha investigada pelo Ministério Público do Estado, disse haver “motivações escusas ideológicas” nas representações que solicitaram as investigações. A nota emitida pelo delegado sobre o caso está disponível, na íntegra, logo abaixo.
Ulisses vai ser investigado pela 40ª promotoria do MP-SC por abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e ato de improbidade administrativa. As representações que desencadearam o procedimento também foram contestadas pelo delegado, que afirma haver “movimentos políticos” por trás das representações, mas também alega confiar na atuação do MP.
A promotoria responsável pela investigação é responsável pelo controle externo da atividade policial e não está envolvida com os desdobramentos e diligências da morte do cão comunitário na Praia Brava, mas sim com a conduta de Ulisses Gabriel, especialmente em entrevista coletiva realizada em 27 de janeiro. Também haverá um levantamento e compilação das declarações públicas, nas redes, sobre as investigações.

Na portaria de instauração do procedimento, o MP indica que “há evidências de que foi o próprio Delegado-Geral quem assumiu a condução direta da apuração, coordenando e dirigindo os atos investigatórios, inclusive garantindo, em resposta à imprensa, resultado exitoso da investigação e responsabilização dos autores do fato, baseado em seus anos de carreira como policial e Delegado de Polícia”.
Ulisses Gabriel, que já teve carreira política e é pré-candidato a deputado estadual, disse, na nota, que nunca foi responsável pelas investigações. Uma das atitudes do delegado-geral que mais repercutiu foi a adoção do cão Caramelo, também vítima de maus tratos no mesmo contexto da morte do cão Orelha.
Íntegra da nota
Não fui notificado sobre a instauração do procedimento preparatório. Mas pelo que entendi a instauração decorre de supostas falas na coletiva da imprensa do dia 27/01.
Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público.
Estou à disposição do Ministério Público para esclarecer o que for perguntado.
Saliento que há informações de dezenas de representações no MP em contexto apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas contra a PC e SC.
Respeitosamente.
Ulisses Gabriel
Delegado-Geral da Polícia Civil




