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Com medo de Ricardo Magro, Beto Louco vistoriou jato em busca de bomba, diz piloto


Por Flávio VM Costa e Alice Maciel

No dia 1º de março deste ano, sábado de Carnaval, Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, embarcou com a família no jato Gulfstream G150, avaliado em R$ 29 milhões. O destino era Miami e a viagem tinha como objetivo encontrar o principal adversário no submundo dos combustíveis: o advogado Ricardo Magro, dono da Refit.

A reunião com Magro não ocorreu e, antes de embarcar de volta para o Brasil, Beto Louco enviou um suposto ex-agente do Mossad, o serviço secreto de Israel, para vistoriar o jato de prefixo PR-SMG e verificar se havia uma bomba dentro da aeronave.

Ao lado do sócio, Mohamed Hussein Mourad, o “Primo”, Beto Louco comandava a Copape, Aster e outras dezenas de empresas responsáveis por abastecer postos de gasolina de bandeira branca em São Paulo e outros estados.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal, os dois são responsáveis por coordenar um esquema de fraudes fiscais e contábeis, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro que favorece o PCC, principal facção criminosa do país. O grupo tinha investido R$ 30 bilhões em fundos de investimentos da Faria Lima, coração financeiro do país, de acordo com a Receita Federal.

Exceção feita à ligação com o crime organizado, Ricardo Magro é acusado pelos mesmos crimes e há mais de uma década fixou residência na Flórida para escapar das autoridades brasileiras. Ele aplicou um calote de R$ 26 bilhões em impostos, informa a mesma Receita Federal.

Não demorou para que os dois grupos, agindo de maneira idêntica no mesmo mercado, se transformassem em adversários. De acordo com relatos de fontes ouvidas pelo ICL Notícias, a disputa se acirrou quando Beto Louco e Primo tentaram entrar no mercado do Rio de Janeiro.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, na qual se diz ameaçado pelo PCC, Magro admitiu que ajudou a produzir dossiês contra as empresas de Beto Louco e Primo. “É notório no mercado que eu sou inimigo dele [refere-se a Mohamed]. Sempre fui.”

Piloto Mauro Caputti Mattosinho (Foto: Reprodução)

A viagem de Beto Louco para Miami e o ex-agente do Mossad

O piloto Mauro Caputti Mattosinho viajava constantemente com Beto Louco, quando trabalhava para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP). Em uma entrevista exclusiva ao ICL Notícias, e em depoimento concedido à PF, ele contou ter presenciado uma série de fatos que ligavam os operadores do PCC a líderes do Centrão, a exemplo do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.

Na viagem para Miami, Mattosinho era um dos pilotos. “Eu sabia, pela conversa com o Epaminondas [dono da TAP], que ele estava indo se encontrar com o Ricardo Magro, nome que a gente já conhecia, porque o Epaminondas alegava para mim que o Ricardo Magro era um rival comercial do Roberto, que eles teriam tido problemas sérios com a tentativa de entrada da Copape no Rio de Janeiro, e que o Beto estaria indo para lá para tentar se reunir com ele, para alinhar uma trégua.”

Beto Louco e familiares ficaram uma semana em Miami. De acordo com o piloto, Ricardo Magro se recusou a recebê-lo.

O jato estava estacionado no Aeroporto Executivo Miami-Opa-Locka, localizado a 19 km do centro comercial da cidade. Antes de começar a fazer os preparativos para o voo de volta, no dia 8 de março, Mauro e o colega receberam uma visita inesperada: um homem alto, loiro, com físico de atleta, se identificou como um agente de segurança contratado por Beto Louco para vistoriar o jato. Durante a conversa, ele afirmou ser um ex-agente do Mossad, mas não se identificou por qualquer nome. O jato Gulfstream G150 é de fabricação israelense.

“Essa pessoa alega que veio ali fazer uma vistoria antibomba no avião. Enquanto eu conversava com esse cara, o outro piloto estava ligando na empresa. Essa situação foi muito desconfortável, a gente não estava esperando por isso, eu pessoalmente nunca havia passado por isso na minha carreira até então, e já tendo voado com pessoas em situação de segurança muito crítica”, conta Mattosinho.

Gulfstream G150

“De fato, havia sido uma solicitação do Roberto [Beto Louco]. Eu acompanhei esse indivíduo numa varredura completa na aeronave, que durou mais de uma hora, onde ele abriu todas as gavetas, todas as tampas de qualquer coisa. E algumas horas depois, chega o Roberto, a gente embarca e vai embora.”

O piloto afirma que em conversa posterior com Epaminondas Madeira, o dono da TAP, a tentativa de Beto Louco de encontrar Ricardo Magro teria agravado a crise entre os dois.

“Por esse motivo, havia tanto receio de uma tentativa de algum tipo de ataque no retorno ao Brasil.”

Meses depois, Beto Louco e Ricardo Magro foram alvos de megaoperações policiais. Em agosto, a Operação Carbono Oculto tentou prender Beto Louco e Primo, mas os dois conseguiram escapar e agora tentam fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. Em novembro, foi a vez de Ricardo Magro, por meio da Operação Poço de Lobato.

O presidente Lula afirmou que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudar a prender “o maior devedor contumaz do Brasil”, em referência a Ricardo Magro.

O ICL Notícias procurou Ricardo Magro, Beto Louco e Epaminondas Madeira. A assessoria de Ricardo Magro afirmou que “não há registro desse contato” de Beto Louco para uma reunião com o dono da Refit, em março, na cidade de Miami.

Beto Louco e Epaminondas Madeira não responderam aos questionamentos da reportagem.





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