Os presidentes Lula e Donald Trump conversaram por 40 minutos na terça-feira (2), em mais uma demonstração de acerto da diplomacia brasileira. Na conversa por telefone, abordaram a questão tarifária sobre produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos e a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.
Entusiasmado com o diálogo, Trump postou em sua rede Truth Social: “Tivemos uma conversa muito produtiva com o presidente Lula do Brasil. Entre os temas discutidos estavam comércio, formas de cooperação entre nossos países no combate ao crime organizado, sanções impostas a autoridades brasileiras, tarifas e diversos outros assuntos. O presidente Lula e eu construímos uma relação durante um encontro nas Nações Unidas, o que acredito ter aberto caminho para um diálogo construtivo e acordos futuros. Estou ansioso para vê-lo e conversar novamente em breve. Muitas coisas boas virão desta nova parceria!”, escreveu.
No terreno da segurança, Lula buscou alinhar interesses estratégicos com Washington ao destacar o combate ao tráfico de drogas e armas, conectando a pauta internacional a questões domésticas, como o caso da distribuidora Refit.
O grupo, segundo a Receita Federal, é o maior devedor do estado de São Paulo, com cerca de R$ 10 bilhões em impostos, e tem seu principal proprietário, Ricardo Magro, residindo nos EUA desde 2016.
A negociação indireta sobre o caso, incluindo a tradução para o inglês de documentos e desdobramentos da investigação, indica que Brasília pretende tratar com Washington a cooperação em processos que envolvem crime transnacional.
Entre estratégia e diplomacia
Enquanto os Estados Unidos têm adotado ações mais agressivas, como interceptações e bombardeios a embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe, o Brasil propõe uma abordagem baseada na integração de inteligência e cooperação direta. A diplomacia brasileira também evitou tocar publicamente em temas sensíveis, como as sanções da Lei Magnitsky, mantendo o foco na pauta de combate ao crime.
No campo comercial, Lula sinalizou avanços concretos sobre a reversão de tarifas aplicadas por Washington a produtos brasileiros. Desde agosto, a combinação de 10% de tarifa universal e 40% específica sobre o Brasil afetou diversos setores, incluindo café e carne.
Após negociações anteriores, algumas tarifas foram parcialmente suspensas, mas ainda há produtos impactados. O presidente brasileiro demonstrou otimismo quanto a novas revogações, afirmando que “muita coisa vai acontecer”, e reforçou que as conversas buscam fortalecer as duas maiores democracias do Ocidente.
Interlocução bilateral
A ligação também reforça a continuidade da interlocução bilateral. Trump, segundo relatos, comprometeu-se a apoiar iniciativas conjuntas contra organizações criminosas, abrindo espaço para futuras negociações e cooperação prática.
Enquanto isso, tensões regionais, como a pressão norte-americana sobre Nicolás Maduro na Venezuela, seguem em segundo plano, mas moldam o contexto geopolítico no qual o diálogo acontece.
A conversa telefônica evidencia que a diplomacia brasileira busca equilibrar interesses internos e externos, negociando simultaneamente redução de tarifas e alinhamento estratégico com os Estados Unidos em segurança e combate ao crime organizado, demonstrando uma abordagem pragmática e multifacetada.




