Convivência com pets pode reduzir estresse e fortalecer a saúde emocional

A relação com animais de estimação tem sido apontada por estudos científicos como um fator capaz de influenciar diretamente a saúde emocional das pessoas. Pesquisas associam esse vínculo à redução do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos, além do fortalecimento da sensação de pertencimento e segurança emocional.

Para Gabriela Monteiro da Silva, especialista em Psicologia Clínica Fenomenológico-Existencial e coordenadora do Núcleo de Apoio Pedagógico e Experiência Docente (NAPED) da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, a presença de um pet pode funcionar como um tipo de suporte afetivo constante, especialmente em contextos de solidão, isolamento social ou dificuldades de comunicação.

“Os pets oferecem uma presença previsível, o que favorece a segurança emocional. Esse tipo de relação pode funcionar como uma fonte estável de suporte afetivo”, ressalta.

Segundo a psicóloga, há evidências científicas consistentes sobre impactos fisiológicos e emocionais da interação com animais. “Pesquisas mostram associação com redução do estresse percebido e até de marcadores fisiológicos, como o cortisol, além de diminuição de sintomas de ansiedade e humor deprimido”, diz.

Do ponto de vista clínico, Gabriela Silva explica que esses efeitos se relacionam à capacidade do vínculo humano-animal de favorecer a regulação emocional e reduzir estados de hipervigilância — comuns em pessoas em sofrimento psíquico.

Raízes evolutivas e vínculo afetivo

No caso dos cães, a especialista da Afya destaca que a relação com os humanos tem raízes históricas e evolutivas. “Do ponto de vista científico, essa relação começou de forma funcional, ligada à proteção, à caça e à sobrevivência, mas ao longo do tempo se transformou em um vínculo afetivo profundo”, afirma. “Hoje, os cães ocupam um lugar que vai além disso, sendo frequentemente percebidos como fontes de afeto, companhia e segurança emocional”, completa.

A psicóloga ressalta, no entanto, que esse tipo de vínculo não se restringe aos cães. “Animais como gatos, por exemplo, também têm sido associados a benefícios emocionais, especialmente por sua presença constante e pela sensação de acolhimento que podem proporcionar dentro de casa — o que tem contribuído para o aumento da popularidade da espécie nos últimos anos”, diz.

Já em relações com animais como cavalos, frequentemente presentes em práticas terapêuticas assistidas, ela esclarece que o vínculo humano-animal pode ser marcado pela construção de confiança, pela atenção ao corpo e pela regulação emocional, ampliando o debate sobre como diferentes espécies podem influenciar o bem-estar psíquico.

Outro aspecto apontado pela psicóloga é o papel dos animais na construção de vínculos afetivos estáveis e no fortalecimento do senso de pertencimento. “O pet pode ocupar um lugar de referência emocional, oferecendo previsibilidade, rotina e afeto — elementos fundamentais para a organização psíquica”, explica.

Em contextos de vulnerabilidade emocional, esse vínculo pode contribuir para a sensação de propósito, continuidade e responsabilidade, ajudando pessoas a enfrentarem situações de estresse ou insegurança.

Suporte emocional e assistência

Em ambientes de estudo e trabalho, Gabriela afirma que, em determinados contextos, a presença ou o apoio emocional de um animal também pode impactar positivamente a estabilidade emocional e o desempenho. “A presença ou o apoio emocional de um animal pode contribuir para a redução do estresse, melhora da concentração e maior sensação de bem-estar e engajamento”, observa. Segundo ela, o animal pode funcionar como um regulador emocional, ajudando a lidar com pressões acadêmicas e favorecendo interações sociais mais positivas.

A psicóloga também chama atenção para a diferença entre animal de suporte emocional e animal de assistência, termos frequentemente confundidos. “O animal de assistência é treinado para executar tarefas específicas que auxiliam uma pessoa com deficiência, como cães-guia ou cães de alerta médico. Já o animal de suporte emocional não realiza tarefas, mas oferece conforto e estabilidade emocional, sendo indicado clinicamente para pessoas em sofrimento psíquico”, esclarece.

Na Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, a psicóloga relata que há casos de alunos que utilizam cão de suporte emocional como parte do cuidado com a saúde mental. Para ela, exemplos concretos ajudam a traduzir o debate científico para a realidade cotidiana.

“Histórias reais mostram como esse vínculo pode promover inclusão, cuidado e saúde emocional. Elas humanizam a ciência e facilitam a identificação do público com o tema”, afirma.

Para Gabriela Silva, o debate sobre bem-estar animal também se conecta ao cuidado integral com as pessoas. Ela cita a perspectiva da Saúde Única (One Health), abordagem que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. “Quando o vínculo humano-animal é respeitado de forma ética, ele se torna um recurso importante de promoção de saúde emocional e contribui para o bem-estar coletivo”, pontua.

A especialista reforça, no entanto, que essa relação deve ser construída com responsabilidade, evitando romantizações. Entre os cuidados essenciais estão a compatibilidade entre tutor e animal, atenção aos sinais de estresse do próprio pet e educação sobre necessidades físicas e emocionais. “O foco deve ser sempre o bem-estar mútuo, respeitando limites e promovendo uma relação ética e saudável”, conclui.

Ensino — A importância de uma formação em saúde que considere o cuidado de forma integral, incluindo os aspectos emocionais que atravessam a vida cotidiana, é algo que faz a diferença.

No Amazonas, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru tem uma proposta pedagógica que busca aliar conhecimento técnico e prática profissional a uma abordagem mais humanizada, valorizando escuta, acolhimento e sensibilidade no preparo de futuros profissionais.

A Afya Manacapuru oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem, Biomedicina e Fisioterapia, contribuindo para ampliar o acesso à educação no interior do estado.

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