Correios aguardam liberação de empréstimo de R$ 12 bilhões; entenda como será a reestruturação


A direção dos Correios espera a liberação de um empréstimo bancário de R$ 12 bilhões após a estatal receber o aval do Tesouro Nacional. De acordo com técnicos envolvidos nas negociações, a previsão é que R$ 10 bilhões sejam incorporados ao caixa da empresa ainda neste mês, enquanto os R$ 2 bilhões restantes devem ser liberados ao longo de 2026. O pagamento do 13º salário dos funcionários está programado para esta sexta-feira.

A entrada dos recursos é considerada essencial para que o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, dê início às primeiras etapas do plano de reestruturação, cujo objetivo é restabelecer o equilíbrio financeiro da empresa.

Recursos vão financiar PDV e reorganização interna dos Correios

Uma das principais frentes do plano é a implementação de um programa de demissão voluntária (PDV), previsto para ser lançado em janeiro. A meta é reduzir o quadro de pessoal em cerca de 10 mil empregados em 2026 e outros 5 mil em 2027. Parte relevante do empréstimo será destinada ao custeio dessa iniciativa.

Os detalhes do plano de reestruturação serão apresentados por Rondon na próxima segunda-feira. Diversas medidas já receberam aval do conselho de administração dos Correios, assim como a contratação do financiamento. O passo final agora é a efetiva liberação dos recursos.

O acesso ao crédito foi facilitado após autorização do Ministério da Fazenda para que o Tesouro Nacional atue como avalista do empréstimo. O financiamento será concedido por um consórcio formado por cinco bancos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander.

Com o aval, o risco para as instituições financeiras é reduzido. Na prática, caso os Correios não consigam honrar as parcelas do empréstimo, a obrigação de pagamento recairá sobre a União.

O contrato prevê prazo de 15 anos para quitação, com três anos de carência. A taxa de juros foi fixada em até 120% do CDI, dentro dos limites estabelecidos pelo Tesouro Nacional.

Destinação dos recursos no curto prazo

Além de viabilizar o PDV, o dinheiro será utilizado para regularizar dívidas vencidas e compromissos financeiros que vencem nos próximos meses. Estão incluídos gastos com folha de pagamento, precatórios e outras obrigações judiciais irrecorríveis.

A estratégia da estatal é antecipar o pagamento de compromissos previstos para 2025 ainda neste ano, garantindo a continuidade das operações e evitando a deterioração dos serviços. Uma das preocupações imediatas é a quitação de valores devidos a fornecedores e prestadores de serviços, fator crucial para evitar atrasos nas entregas em meio à paralisação de parte dos funcionários.

Além do programa de demissão voluntária, o plano prevê a revisão do plano de carreiras, a realocação de empregados para áreas consideradas críticas e a adoção obrigatória do ponto eletrônico para todos os funcionários. Também está prevista a redução de despesas com o plano de saúde.

No campo operacional, os Correios pretendem enxugar custos por meio da revisão de contratos e do fechamento de cerca de mil unidades. Do lado das receitas, a aposta está na ampliação do portfólio de serviços e no aumento da eficiência logística, com foco na melhoria dos prazos de entrega.





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