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A cidade de Belo Horizonte, capital mineira, foi palco, no sábado (20), de uma manifestação que misturou música, crítica política, ironia e verde e amarelo. Não é carnaval, mas parece: o “Cortejo da Tornozeleira”, como o ato foi batizado, reuniu integrantes de blocos carnavalescos para celebrar as medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acesso às redes sociais.
O grupo se reuniu por volta das 12h30 na Praça da Estação, na região central, e seguiu em cortejo até a Rua Sapucaí, no bairro Floresta. Ao som de percussão e metais, cerca de 150 pessoas participaram do protesto, que também foi marcado pela presença de cartazes, estandartes e fantasias com referências à política nacional.
Memes e sátiras sobre tornozeleira de Jair Bolsonaro inundam as redes sociais
Sem uma organização formal, o evento foi descrito pelos participantes como uma resposta espontânea à decisão judicial contra Bolsonaro. “Foi um movimento espontâneo, uma resposta imediata de nós, os blocos de luta de Belo Horizonte, em apoio à ação da PF, do STF e da Justiça”, afirmou Antônio Marcos de Oliveira, eletricitário e integrante de diversos blocos carnavalescos da cidade.
Escultura de tornozeleira
O símbolo do cortejo foi uma escultura de um pé com uma tornozeleira eletrônica decorada com a bandeira do Brasil. A peça foi criada pelo analista de sistemas Tomáz Dias de Freitas, que relatou ter construído o objeto com materiais simples, como papelão e PVC, durante a madrugada anterior ao ato.
Entre os manifestantes, o tom era de indignação com o ex-presidente. A aposentada Ruslana Alvarenga Alves criticou a atuação de Bolsonaro durante o governo e destacou a tentativa de retomar o uso das cores nacionais em manifestações progressistas. “O verde e amarelo sempre foi do brasileiro. Eles [a direita] tomaram para si algo que é de todos nós”, afirmou.
A presença de verde e amarelo no evento, cores tradicionalmente associadas à direita nos últimos anos, também chamou a atenção. Alguns participantes explicaram que o uso dos tons foi uma forma simbólica de resgatar os símbolos nacionais. “O verde e amarelo é digno, é do brasileiro, nos representa. Acho importante retomar nossos ícones”, disse Antônio Marcos.
Outro manifestante, que preferiu não se identificar, destacou que havia deixado de usar as cores por receio de associação política. “Mas o Brasil é de todo mundo. O nacionalismo não é monopólio da direita”, defendeu.
O cortejo contou com a presença de blocos como Sou Vermelho, Então, Brilha, Coco da Gente, Volta Belchior e Orquestra de Pífanos de BH. Os organizadores afirmaram que o evento foi montado em menos de 24 horas e que novas manifestações poderão ocorrer caso haja novos desdobramentos no processo judicial envolvendo o ex-presidente.
Fonte: ICL Notícias




