Por Cleber Lourenço
A CPI do Crime Organizado no Senado ampliou significativamente seu escopo de investigação ao aprovar, nesta quarta-feira (26), as convocações do ex-deputado estadual TH Joias e de Conrado Leister, diretor da Meta no Brasil. As duas oitivas somam-se a um conjunto de 38 requerimentos aprovados no mesmo dia, reforçando a estratégia da comissão de compreender, de maneira abrangente, como as facções criminosas atuam, se financiam e se infiltram em estruturas estatais e econômicas.
A convocação de TH Joias marca uma etapa particularmente sensível para a CPI. Apontado como braço político do Comando Vermelho, ele está preso desde setembro, acusado de envolvimento direto em tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro para a facção. Além do papel operacional, sua atuação política chama a atenção dos senadores pela capacidade de articular interesses da criminalidade dentro de espaços institucionais. Para o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), ouvi-lo é essencial para destrinchar o funcionamento interno das facções e suas ramificações com agentes públicos. “Queremos compreender como as facções se organizam, se financiam, disputam territórios, influenciam economias locais e conseguem penetrar em contratos e estruturas do Estado”, afirmou.

CPI chama diretor da Meta
A CPI, porém, não se limitou ao eixo político-estatal. A convocação de Conrado Leister, diretor da Meta, insere as big techs na radiografia sobre o avanço do crime organizado. A comissão quer saber de maneira detalhada quais medidas a plataforma adota para impedir que seus serviços sejam convertidos em ferramentas de logística, comunicação, financiamento e propaganda por organizações criminosas. A Meta, responsável por redes de grande alcance no país, como Facebook, WhatsApp e Instagram, tornou-se peça central nas discussões sobre regulação, rastreamento e responsabilização digital.
A investigação sobre o papel das plataformas digitais segue uma linha adotada por diversas comissões e autoridades internacionais, mas ganha contornos específicos no Brasil, onde facções criminosas operam com alto grau de organização e recorrem às redes para expandir territórios, cooptar novos membros e movimentar recursos. A CPI quer compreender não apenas o que a Meta faz, mas também aquilo que deixa de fazer — e que pode estar contribuindo, direta ou indiretamente, para o fortalecimento dessas estruturas.
Segundo Contarato, a análise conjunta desses elementos — infiltração política, uso das redes sociais e circulação financeira — deve subsidiar propostas concretas de política pública. “A partir desse entendimento completo, buscaremos identificar quais políticas públicas podem interromper esse ciclo, com inteligência, cooperação federativa, transparência, controle e proteção das populações mais vulneráveis”, explicou.
A amplitude das convocações reflete a intenção da CPI de construir um diagnóstico que vá além da responsabilização individual, alcançando os mecanismos institucionais, tecnológicos e econômicos que permitem a expansão das facções. A comissão ainda definirá as datas das oitivas, mas a tendência é que as sessões com TH Joias e com o diretor da Meta se tornem alguns dos momentos mais aguardados da investigação.




