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sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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Criado observatório para monitorar violência contra os professores

Em pesquisa de 2022, 51,23% dos professores relataram agressão verbal e outros 7,53% contaram violência física

Profissionais de educação que sejam vítimas de violência e perseguição agora podem contar com um monitoramento que tem como objetivo subsidiar políticas públicas que protejam a classe.O Observatório Nacional da Violência contra Educadores (ONVE) foi lançado com a ideia de que o projeto sirva para defender o direito à educação e à liberdade de ensino.

Levantamento global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) coloca o país entre os de índices mais altos do mundo no ranking das agressões contra professores – e que têm se mantido estável nos últimos anos.

O lançamento do observatório Observatório Nacional da Violência contra Educadores ocorreu no auditório Paulo Freire da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Segundo os organizadores, o observatório vai fazer pesquisas acadêmicas e levantamentos em nível nacional sobre os casos de violência e perseguição nas salas de aula.

LEIA: Desmotivados com a carreira, professores abandonam a sala de aula

Outra ideia é que, através dos dados recolhidos, sejam estabelecidos protocolos de acolhimento jurídoco e psicológico aos profissionais, além de divulgação de campanhas sobre o tema. A expectativa é de que o ONVE seja uma ferramenta para criar ações conjuntas para a defesa de educadores.

Diretor da Faculdade de Educação da UFF, o professor Fernando Penna diz que um dos objetivos da iniciativa é entender o comportamento atual da extrema direita ao criminalizar educadores e intelectuais. Ele teve atuação importante nos últimos anos para evitar e inibir o movimento “Escola sem partido”, em que extremistas de direita tentam cercear a livre discussão de ideias dentro de sala de aula, sob a falsa acusação de os professores formam militantes de esquerda.

Penna ressalta que os profissionais da educação são atacados nas escolas e também pelas redes sociais.Nesses casos, acredita ele, o observatório terá um papel fundamental para “reunir estratégias contra a violência e pensar os educadores como defensores dos direitos humanos”.

TRÊS FRENTES DE ATUAÇÃO

A proposta é que o ONVE atue em três frentes principais, que serão:

  • Levantamento de dados em nível nacional: em março, será divulgado o questionário on-line em que as instituições em todos os níveis e educadores poderão acessar e informar sobre a violência que tenham sofrido e vivenciado;
  • Acolhimento aos educadores: desenvolver protocolos nos campos jurídicos e psicológicos para que as instituições em todos os níveis de governo e de atuação possam ajudar educadores que sofram violência;
  • Somar-se às lutas das instituições contra esse fenômeno novo da violência contra os educadores e, junto com o Ministerio dos Direitos Humanos e Cidadania, elaborar um protocolo de acolhimento aos educadores, utilizando o disque 100 – que no governo Bolsonaro foi usado como uma ferramenta de perseguição aos educadores.

CONSTATAÇÃO DAS PESQUISAS

Pesquisas recentes mostram estatisticamente que a violência escolar, em especial contra professores, continua sendo motivo de preocupação. Um levantamento realizado em julho de 2022 pela associação Nova Escola ouviu mais de 5 mil professores e 51,23% deles relataram terem sido agredidos verbalmente nas escolas em que trabalhavam. Outros 7,53% relataram violência física. Na maioria das vezes (50,5%), os agressores eram os alunos.

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