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sábado, fevereiro 21, 2026
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Deputado argentino denuncia que reforma trabalhista de Milei vai provocar um ‘industrialício’


Por José Bernardes e Tabitha Ramalho – Brasil de Fato

A Argentina caminha a passos largos para aprovar, na próxima sexta-feira (27), a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, um pacote de 217 artigos que, segundo críticos, representa o maior retrocesso social desde o século 19. Apesar da forte rejeição popular e das manifestações que tomaram as ruas, o texto avançou no parlamento com apoio de setores da oposição peronista e deve ser votado no Senado nos próximos dias.

Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o deputado Christian Castillo, do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS), analisou os impactos da reforma, a estratégia do governo e o cenário de crise que já levou ao fechamento de 22 mil empresas no país.

“É muito difícil reverter a votação no Senado, que já tem uma votação favorável inicial”, admite Castillo. O governo conseguiu avançar na Câmara dos Deputados “graças à adesão de setores da oposição peronista que deram quórum e alguns inclusive votaram. Eles que haviam sido eleitos para fazer oposição”.

A reforma, detalha o deputado, é um ataque frontal aos direitos trabalhistas. “Tem 217 artigos. Nenhum é a favor dos trabalhadores. A totalidade dos artigos é favorável às patronais.”

Entre os pontos mais graves, Castillo destaca:

  • O alargamento da jornada laboral com o chamado “banco de horas”, que permite jornadas de até 12 horas compensadas com outros dias, eliminando o pagamento de horas extras
  • A criação de um fundo de assistência laboral que desvia dinheiro das pensões para financiar demissões, administrado por setores financeiros
  • A limitação do direito de greve, com cerca de 60 atividades declaradas “essenciais”
  • A proibição de assembleias de trabalhadores sem autorização patronal
  • A exclusão explícita de trabalhadores de aplicativos como Uber e delivery de qualquer direito trabalhista

“É uma ditadura patronal plena, a negação da relação de dependência do trabalhador em relação às plataformas”, resume o deputado.

A greve geral da quinta-feira (19) teve “muita adesão de trabalhadores”, segundo Castillo. A revogação do artigo 44, que diminuía o pagamento de licenças por doença, é apontada por Castillo como exemplo da pressão popular: “A população cresceu fortemente a rejeição à reforma depois que se publicou o artigo 44. Isso elevou o número de setores da população que repudiaram a reforma, a tal ponto que esse artigo foi retirado do texto”, pontuou.

Deputado argentino denuncia que reforma trabalhista de Milei vai provocar um ‘industrialício’
Deputado argentino denuncia que reforma trabalhista de Milei vai provocar um ‘industrialício’

Peronismo dividido, esquerda unificada

Questionado sobre o cenário da oposição, Castillo faz uma distinção importante. “A esquerda não está fragmentada. Temos uma frente, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidade, com quatro deputados nacionais e vários estaduais, que atuou unitariamente e teve muita presença na oposição à reforma.”

O deputado fez duras críticas ao peronismo, que, na visão dele, é o bloco de oposição mais importante no Congresso, e que “efetivamente tem uma divisão entre deputados e senadores que respondem a governadores que negociaram adesão à reforma de Milei, dando quórum e alguns votando favoravelmente”.

Mas Castillo diferencia dois grupos: “Setores que apoiam a agenda de Milei a partir de negociações, e outro setor que se opõe, mas não tem mobilizado nem tem encarado uma luta séria contra a reforma. A grande maioria do peronismo se limitou a dizer ‘não ao acordo’, sem impulsionar a luta de classes contra a reforma”.

A condução da CGT, segundo ele, faz parte desse quadro. “Negociaram a partir de simplesmente garantir o financiamento dos sindicatos, entregando tudo”, afirmou.

‘Industrialício’: o colapso da economia argentina

A economia argentina vive um fenômeno de dois ritmos, descreve Castillo. “Um ritmo do setor financeiro e extrativista ligado a mineração, hidrocarbonetos, petróleo em particular, e o agro – há grandes negócios dos setores capitalistas nesses segmentos. Mas o resto da economia está afundada.”

A produção industrial voltada ao mercado interno está totalmente paralisada por uma combinação dos seguintes fatores: abertura indiscriminada da economia com entrada de produtos baratos, particularmente da China; queda do poder de compra do salário, que diminuiu forçadamente o consumo popular; e dólar barato em relação ao que estava, que encarece os custos da produção argentina

O exemplo mais recente é o fechamento da Fate, principal planta produtora de pneus para automóveis e caminhões, deixando 1 mil trabalhadores na rua. “A empresa é de um dos capitais nacionais mais ricos do país, Manuel Madanes Quintanilla, 12º mais rico da Argentina, com fortuna de US$ 1,5 bilhão. Ele anunciou o fechamento.”

Castillo conta que, desde que Milei assumiu, “22 mil empresas fecharam. Um liberal pró-mercado que provoca o fechamento massivo de empresas. Essa é a realidade”.

O setor têxtil opera com apenas 30% da capacidade instalada. No setor de pneus, as vendas caíram 40%, e 70% do total são de importação chinesa. Há dois anos, a proporção era inversa.





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