Derrite, Lira e Cunha têm jantar reservado em Brasília após impasse do PL Antifacção


O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, reuniu-se na quarta-feira (12) com os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Arthur Lira e Eduardo Cunha, em um jantar reservado no restaurante Manuelzinho, um dos endereços mais discretos de Brasília. O encontro ocorreu poucas horas após o adiamento da votação do Projeto de Lei Antifacção — proposta que Derrite relata e que tem gerado atritos entre governo, oposição e governadores. As informações são da coluna de Guilherme Amado, do site Platô BR.

O restaurante escolhido é frequentado por políticos e empresários em busca de conversas longe dos holofotes. Na noite em questão, os três chegaram pouco antes das 22h e pediram vinho Vinha Grande, da Casa Ferreirinha, além de bacalhau, prato tradicional da casa. Mantiveram o tom baixo durante toda a refeição, dificultando que outros frequentadores identificassem o conteúdo da conversa.

Após dias conturbados, Guilherme Derrite se encontrou com Eduardo Cunha e Arthur Lira em restaurante localizado em Brasília (Foto: Reprodução)

Semana de Derrite

A reunião ocorreu em meio a uma semana conturbada para Derrite. Na terça-feira (11), o deputado e secretário teve de recuar em relação à versão inicial do relatório do PL Antifacção — proposta que pretende enfrentar o avanço do crime organizado. O texto final ficou mais alinhado ao governo federal, contrariando os planos da direita, que esperava endurecer as medidas.

No dia seguinte, novas divergências entre o PL, o PT e os governadores resultaram no adiamento da votação, representando mais um revés político para Derrite. A relatoria do projeto é considerada estratégica para o deputado, que planeja disputar uma vaga no Senado em 2026, e também para o governador Tarcísio de Freitas, apontado como potencial candidato à Presidência.

Uma eventual aprovação do PL seria vista como um triunfo político da direita em um momento de dificuldades: a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o desgaste de aliados e a falta de unidade interna às vésperas do ano eleitoral. O adiamento, no entanto, esfriou esse movimento e colocou em xeque o protagonismo de Derrite.

Ao final do jantar, já por volta da meia-noite, os seguranças dos políticos foram avisados pelo maître que a conta havia sido paga. Pouco depois, os três deixaram o local em silêncio. Questionado pela coluna sobre o conteúdo da conversa e se o encontro envolvia articulações em torno do PL Antifacção, Derrite limitou-se a responder: “Não vou falar nada”, antes de entrar no carro e deixar o restaurante.





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