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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Desembargadora que revogou prisão de Vorcaro foi acusada de gestão fraudulenta


 

Por Cleber Lourenço

 

A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, detido pela Polícia Federal quando tentava deixar o país. A magistrada havia mantido a prisão inicialmente, mas reconsiderou o entendimento dias depois e aplicou medidas cautelares.

A atuação de Solange já havia sido alvo de investigações de grande porte durante sua passagem pela Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer). Em 2010, uma auditoria interna determinada pela então corregedora nacional Eliana Calmon identificou a contratação de 45 empréstimos simulados junto à Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex), totalizando cerca de R$ 6 milhões.

Os contratos foram assinados por ex-presidentes da Ajufer — entre eles Moacir Ferreira Ramos, Solange Salgado, Charles Renaud e Hamilton Dantas. Segundo relatório da FHE, as operações causaram prejuízo superior a R$ 20 milhões. A auditoria apontou ainda o uso não autorizado de dados cadastrais de magistrados, movimentações por contas de terceiros, depósitos relacionados a empresas e repasses considerados suspeitos.

Em abril de 2011, quarenta juízes federais solicitaram abertura de investigação disciplinar ao TRF-1, afirmando que seus nomes teriam sido usados “de forma irresponsável, temerária e fraudulenta”. O então corregedor, desembargador Cândido Ribeiro, instaurou processo administrativo e registrou que os ex-presidentes da entidade — incluindo Solange — haviam assinado contratos classificados como fraudulentos.

O processo disciplinar resultou na aplicação da pena de disponibilidade à magistrada. Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anulou a punição por ausência de quórum qualificado, encerrando o procedimento sem alterar as conclusões das auditorias.

No caso mais recente envolvendo o Banco Master, Solange Salgado primeiro manteve a prisão preventiva dos investigados, citando riscos ao andamento da investigação. Dias depois, reviu sua própria decisão e substituiu a prisão por medidas cautelares.

As acusações registradas nas auditorias internas da Ajufer e nos relatórios da FHE — incluindo empréstimos simulados, contratos fraudulentos e uso indevido de dados de magistrados — permanecem documentadas como parte do histórico funcional da desembargadora.





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