Por Guilherme Jeronymo – Agência Brasil
Para fechar os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval paulistano, sete das 14 componentes da divisão de elite estarão no Sambódromo do Anhembi na noite deste sábado (14) e madrugada de domingo (15).
As agremiações cantam dos girassóis de Van Gogh à arte e memória da atriz Léa Garcia. A apuração das notas está prevista para as 16h de terça-feira (17).
Ordem do desfile:
Império da Casa Verde (22h30)
Décima primeira colocada em 2024, a Império da Casa Verde será a primeira a se apresentar neste segundo dia. Com o enredo Império Dos Balangandãs: Joias Negras Afro-brasileiras a agremiação relembra a escravidão, a tradição em ourivesaria africana e a importância das lutas pela liberdade.
Águia de Ouro (23h35)
Sétima colocada no ano passado, a Águia de Ouro canta a cidade holandesa de Amsterdã com o samba Mokum Amsterdã – O Voo da Águia à Cidade Libertária, com referências a Van Gogh e seus girassóis. A palavra Mokum é um apelido da área central da cidade, derivado do iídiche, e tem como um de seus significados possíveis o de lugar ou porto seguro.
Mocidade Alegre (0h40)
A escola, que coleciona 12 títulos e esteve a um décimo do tricampeonato no ano passado, canta a trajetória da atriz Léa Garcia, que morreu em 2023, aos 90 anos de idade. O samba-enredo Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra destaca seu papel na luta pela igualdade racial no país e sua trajetória como militante e liderança a partir do teatro e do cinema.
Gaviões da Fiel (1h45)
A icônica agremiação ligada ao time do Corinthians desfilará cantando os povos indígenas, sua tradição, importância e protagonismo, com o enredo Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã. Em 2025, a escola foi a terceira colocada.
Estrela do Terceiro Milênio (2h50)
Representante do Grajaú, extremo sul da capital paulista, a Estrela do Terceiro Milênio, campeã promovida do Acesso 1 no ano passado, homenageia Paulo César Pinheiro, autor de clássicos da música popular brasileira como o Canto das Três Raças e que celebra em 2026 seus 55 anos de carreira. A trajetória do escritor é relembrada no enredo Hoje a Poesia Vem ao Nosso Encontro: Paulo César Pinheiro, uma Viagem pela Vida e Obra do Poeta das Canções.
Tom Maior (3h55)
Segunda colocada no grupo de acesso em 2025, a escola da Barra Funda canta em memória a Chico Xavier, trazendo elementos da fé do mineiro e de sua importância para o espiritismo brasileiro, no samba Chico Xavier. Nas Entrelinhas da Alma, as Raízes do Céu em Uberaba.
Camisa Verde e Branco (5h)
Veterana nove vezes campeã, a escola Camisa Verde e Branco encerra o carnaval do Grupo Especial cantando o orixá Exu no samba Abrindo Caminhos, que evoca o caráter protetor da entidade de tradição Yorubá. A agremiação, que também tem quadra na Barra Funda, foi a quinta colocada em 2025.
Rio de Janeiro: escolas ‘jovens’ disputam título com medalhões do carnaval
Por Cristina Índio do Brasil – Agência Brasil
Ao lado de medalhões do carnaval como Império Serrano e Estácio de Sá, escolas de samba bem mais jovens estão na disputa do carnaval da Série Ouro do Rio de Janeiro e desfilam neste sábado (14). A vitória vale uma vaga no Grupo Especial em 2027.
Entre as “novinhas” está a União de Maricá, fundada em 2015. A escola vai desfilar pela terceira vez na Série Ouro em 2026 e traz um carnavalesco de peso: Leandro Vieira, que foi campeão do grupo com a Império Serrano, em 2022, e já coleciona os títulos no Grupo Especial: 2016 e 2019, com a Mangueira, e 2020, com a Imperatriz Leopoldinense.

Na Maricá, o enredo deste ano será Berenguendéns e Balangandãs, uma ideia antiga que o carnavalesco carregava que, segundo ele, vem na esteira de contar “um pouco a história que a história não conta”, uma referência ao enredo da Mangueira em 2019.
Balangandãs são um artigo da joalheria negra produzida no Brasil, contou Leandro, mas o enredo olha para muito além da ideia de ornamento e objeto decorativo.
Conforme explicou, existe, por trás do balangandã, uma história de identidade, rebeldia e transgressão, que é protagonizada por mulheres pretas que, com o ganho diário, acumularam joias transmutadas em uma espécie de poupança.
“Possibilitaram que tivessem um acesso a uma liberdade construída por elas mesmas, e não uma concedida, como reproduz a maior parte do imaginário sobre a liberdade negra no Brasil”, pontuou.
Para o carnavalesco, ao ser afirmativo, este é um enredo que tem um caráter pedagógico “por olhar para esta história de luta e transgressão com interesse de popularizar uma ideia que pode ser motivo de orgulho para uma comunidade”.
Na visão de Leandro, a Maricá é uma escola que, cada vez mais, entende a importância do seu território e da participação da comunidade na construção dessa ideia.
“Toda escola de samba, todo projeto de carnaval é, antes de qualquer coisa, uma ideia e, quando uma ideia é abraçada por muitas pessoas com a intenção de defender um território, essa ideia vai se agigantando”, disse.
“A Maricá traz a ideia de investimento aplicado ao carnaval, mas, sobretudo, traz a ideia de uma comunidade que cada vez mais toma partido, pega a escola no colo com a intenção de fazer parte dessa história, fazer parte dessa ideia, de fazer com que essa ideia dê certo”, completou.
Estrela solitária da avenida
A escola de samba Botafogo Samba Clube, criada em 2018, estreou na Série D, no ano seguinte, desfilando na Passarela Popular do Samba da Intendente Magalhães, na zona norte do Rio.
Depois de ascender à Série Prata, chegou a Ouro em 2025, se tornando a primeira escola ligada a um time de futebol a desfilar na Marquês de Sapucaí.
Como no escudo do clube, o pavilhão da escola tem uma estrela branca em fundo preto, que costuma ser chamada de Estrela Solitária.
O enredo para 2026 é O Brasil que floresce em arte, uma homenagem ao mestre do paisagismo Roberto Burle Marx, que foi desenvolvido pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel.
Torres contou que, quando entraram na escola e conversaram sobre qual seria enredo, disseram que não queriam uma temática que tivesse ligação com o time ou com personagens ligados ao Botafogo.
“Queríamos um enredo que pudesse nos dar liberdade de carnavalizar, mostrar um colorido na escola. De início, foi aceito, e conseguimos colocar essa linda homenagem a Roberto Burle Marx”, disse Raphael Torres em áudio encaminhado pela assessoria da escola.
No primeiro setor, eles abordam as pinturas abstratas que deram origem aos jardins modernistas do paisagista.
“Neste setor, ele abandona os moldes europeus que utilizavam plantas exóticas vindas de outros países para dar lugar às plantas nativas brasileiras”, disse Raphael Torres.
Na sequência, o próximo setor trará a invenção do paisagismo moderno, com destaque para o calçadão de Copacabana.
O amor que Burle Marx tinha pela flora brasileira será retratado pelo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira que representam o Modernismo floresce tropical.
As expedições que Burle Marx fez pelos biomas do Brasil estarão no terceiro setor, destacando as plantas nativas de cada um. O fechamento do setor vem com a alegoria o Brasil descoberto pelo olhar do artista.
Para mostrar o seu legado vivo, o desfile traz por último uma alegoria caracterizando o Sítio de Burle Marx.
“Onde ele morou, viveu e fez da sua casa um laboratório botânico, classificado atualmente como patrimônio mundial da humanidade”.
Confira a ordem dos desfiles da Série Ouro 2026:
Sexta-feira – 13 de fevereiro
- Unidos do Jacarezinho
- Inocentes de Belford Roxo
- União do Parque Acari
- Unidos de Bangu
- Unidos de Padre Miguel
- União da Ilha do Governador
- Acadêmicos de Vigário Geral
Sábado – 14 de fevereiro
- Botafogo Samba Clube
- Em Cima da Hora
- Arranco do Engenho de Dentro
- Império Serrano
- Estácio de Sá
- União de Maricá
- Unidos do Porto da Pedra
- Unidos da Ponte




