Diretor do FMI vê ‘efeito desinflacionário’ no Brasil


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As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados do Brasil, podem ter um efeito desinflacionário no curto prazo, mas seu impacto no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve ser modesto em 2025 e ainda incerto em 2026. A avaliação é de André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI (Fundo Monetário Internacional), em entrevista ao programa Mercado Aberto, do UOL.

Segundo Roncaglia, a interrupção parcial nas exportações, causada pela incerteza em torno do tarifaço, pode gerar uma oferta maior de produtos no mercado interno, aliviando pontualmente a pressão inflacionária. “É possível que haja alguma pressão desinflacionária nesses setores aqui dentro da economia”, afirmou o diretor-executivo do FMI.

Ainda assim, o economista pondera que os efeitos são incertos e dependem da implementação concreta das medidas anunciadas pelo governo Trump.

Diretor do FMI vê impacto limitado no PIB de 2025

Na avaliação do diretor do FMI, o impacto no crescimento econômico brasileiro será limitado neste ano, já que as tarifas entram em vigor apenas em agosto. “Nossas estimativas apontam para um efeito na casa dos decimais, algo entre 0,1 e 0,2 ponto percentual”, disse.

Para 2026, o cenário dependerá da capacidade de reorganização do comércio exterior. Se houver dificuldade em redirecionar exportações, o impacto pode ser maior, mas ainda assim moderado — estimado entre 0,3 e 0,4 ponto percentual.

Enquanto o governo brasileiro articula uma reação diplomática, com apoio de mais de 40 países na OMC (Organização Mundial do Comércio), incluindo União Europeia, China e Canadá, a diplomacia americana se defende alegando que a sobretaxa busca reequilibrar práticas comerciais “injustas”.

Trump tem vinculado a medida a questões internas do Brasil, como o cenário judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro — o que, segundo o Itamaraty, representa uma interferência inaceitável nos assuntos internos de um país soberano.

Ainda segundo Roncaglia, qualquer resposta brasileira deve considerar o custo-benefício das alternativas. “É preciso avaliar se o caminho será diplomático, técnico ou, eventualmente, jurídico, via OMC”, concluiu.





Fonte: ICL Notícias

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