‘Divergência política não dá a um homem o direito de tentar humilhar uma mulher’, diz Aryel Almeida

Candidata a deputada federal recebeu ofensas misóginas ao ter adesivo de campanha arrancado em Manaus. Lutar pelas mulheres será sua prioridade em Brasília

“Essa p*ta dessa Aryel. Onde eu pegar carro e eu puder fazer isso, eu vou fazer. Tô nem vendo”. Tais ofensas foram ditas por um homem ao arrancar um adesivo de campanha da candidata a deputada federal Drª Aryel Almeida (Avante) de um veículo em Manaus. O ataque com discurso misógino foi registrado em vídeo e circulou nas redes sociais.

Aryel, que é médica e liderança dos jovens em seu partido, tem a defesa da mulher como uma de suas bandeiras de luta. Segundo ela, um “simples” xingamento naturalizado é só a “ponta do iceberg” de uma cultura machista e misógina que condena tudo que é feminino e se transforma em violência física: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, quatro mulheres são mortas por dia, em média, no Brasil.

“Isso não é só sobre mim, é sobre a mulher que é desrespeitada no trabalho, é sobre a mulher que é diminuída quando decide liderar, é sobre a mulher que precisa provar duas, três, quatro vezes mais para ocupar um lugar que também é dela”, respondeu Aryel Almeida em um vídeo-manifesto publicado em suas redes sociais.

Segundo Aryel, o ataque é só mais um exemplo da importância de lutar por mais representatividade feminina na política. “Você pode discordar de mim, não gostar das minhas ideias, escolher outro caminho. Isso é democracia, mas divergência política nenhuma dá um homem o direito de tentar humilhar uma mulher”, afirma.

Nesta quarta (19/8), entrevista ao podcast Papo Político, apresentado pela jornalista Liliane Araújo, Aryel conversou sobre o assunto e afirmou que medidas cabíveis já foram tomadas pela sua equipe jurídica. “Ninguém pode usar política como desculpa para atacar, humilhar ou violentar uma mulher. Discordância faz parte da democracia, a violência contra a mulher não”, disse.

A luta pelas mulheres em Brasília

Aos 32 anos, mãe, médica e presidente nacional do Avante Jovem, Aryel Almeida quer levar a luta por mais proteção às mulheres para a Câmara dos Deputados.

Dentre suas prioridades estão o aumento da representatividade feminina nos espaços de poder e o combate à violência – seja política, psicológica, verbal ou física. “Mulher nenhuma quer tratamento especial. O que a gente quer é respeito, voz e ocupar os espaços que também são nossos”, dispara Aryel.

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