Dívida pública do Brasil chega a 80,4% do PIB


A dívida pública bruta do Brasil voltou a crescer em abril e alcançou R$ 10,4 trilhões, o equivalente a 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central (BC). O avanço de 0,3 ponto percentual em relação a março levou o indicador ao maior patamar desde julho de 2021, período marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19.

Apesar do resultado, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril, ante superávit de R$ 14,1 bilhões no mesmo mês de 2025.

O cálculo considera os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. A trajetória ascendente do endividamento mantém o sinal de alerta aceso entre investidores e agentes do mercado financeiro, que acompanham de perto a capacidade do país de equilibrar as contas públicas.

A dívida pública é hoje um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento federal. O pagamento de juros e amortizações consome parcela significativa das despesas obrigatórias da União e reduz o espaço para os chamados gastos discricionários — aqueles destinados a investimentos, manutenção da máquina pública e políticas não obrigatórias.

Atualmente, as despesas de livre alocação representam menos de 10% do orçamento federal, cenário que limita a capacidade do governo de ampliar investimentos e executar políticas públicas sem pressionar ainda mais o quadro fiscal.

A expansão do endividamento acompanha uma tendência observada nos últimos anos. Em 2025, a dívida pública federal acumulou crescimento de 18%, a maior alta desde 2015 e superior inclusive ao avanço registrado em 2020, auge da pandemia, quando o aumento foi de 17,9%.

Juros elevados impulsionam alta

Segundo o Banco Central, a principal pressão sobre a dívida bruta em abril veio da incorporação dos juros nominais, responsável por um impacto de 0,9 ponto percentual no indicador.

Por outro lado, a variação do PIB nominal ajudou a reduzir a relação dívida/PIB em 1,5 ponto percentual, enquanto a valorização cambial contribuiu com queda adicional de 0,2 ponto percentual.

O comportamento da dívida reflete o ambiente de juros elevados no país, que encarece o custo de financiamento do governo e amplia o peso do serviço da dívida nas contas públicas.

Dívida líquida também avança

A dívida líquida do setor público — indicador que desconta os ativos do governo — também apresentou crescimento em abril. O estoque subiu para R$ 8,8 trilhões, equivalente a 66,8% do PIB, alta de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Esse indicador é considerado por analistas uma medida mais precisa da situação patrimonial do setor público, por levar em conta reservas internacionais e outros ativos financeiros do governo.

Setor público registra superávit

Apesar da piora nos indicadores de endividamento, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril. No mesmo mês do ano passado, o resultado havia sido positivo em R$ 14,1 bilhões.

Para o cálculo, o Banco Central considera União, estados, municípios e empresas estatais, excluindo instituições financeiras públicas e a Petrobras.

O governo central e os governos regionais registraram superávits respectivos de R$ 26,1 bilhões e R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais apontaram déficit de R$1,8 bilhão.

Porém, no período de 12 meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do PIB, 0,09 ponto percentual do PIB inferior ao déficit acumulado até março.

O superávit primário ocorre quando as receitas com impostos, tributos e outras fontes superam as despesas do governo, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública.

 





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