Dólar sobe a R$ 5,13 mesmo com petróleo em queda e alívio na tensão com o Irã


O dólar fechou nesta terça-feira (4/8) cotado a R$ 5,13, com alta de 0,87% frente ao real. O Ibovespa, por sua vez, teve variação mínima, fechando em queda de 0,07%, aos 177,8 mil pontos, o que indicou estabilidade no principal índice da Bolsa brasileira.

O movimento chamou atenção justamente por ir na contramão do cenário internacional. Segundo especialistas, o que pesou contra o real foram fatores internos: incertezas políticas ligadas à questão fiscal e a expectativa em torno da decisão sobre a taxa Selic, marcada para a noite desta quarta-feira (5/8).

Enquanto o dólar subia no Brasil, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas fortes, como euro, iene e libra esterlina, caía 0,07%, aos 99,89 pontos, às 16h20. A moeda americana também recuou frente a outras economias emergentes: o peso colombiano chegou a se valorizar 1,04%, e o peso mexicano avançou 0,40%, no mesmo horário.

O Ibovespa, teve variação mínima, fechando em queda de 0,07%, aos 177,8 mil pontos, o que indicou estabilidade no principal índice da Bolsa brasileira (Foto: Reprodução)

Alívio no Oriente Médio derruba petróleo

Os mercados globais reagiram bem à perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã, mesmo que a possibilidade de uma trégua duradoura entre os dois países ainda seja incerta. O otimismo foi suficiente para derrubar o preço do petróleo: o barril tipo Brent, referência internacional, recuou 5,26%, para US$ 79,36, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 5,69%, para US$ 75,77.

Sinais de desaceleração no mercado de trabalho americano

Outro fator que influenciou o dia foi a divulgação, nos Estados Unidos, da pesquisa sobre emprego e rotatividade da mão de obra, conhecida como JOLTS. O levantamento mostrou que a abertura de vagas de trabalho caiu para 7,35 milhões em junho, número abaixo da expectativa do mercado, que previa 7,4 milhões. O dado de maio também foi revisado para baixo, de 7,594 milhões para 7,537 milhões de vagas.

Esses números apontam para uma desaceleração, ainda que parcial, da economia americana, o que reduz a pressão por uma alta nos juros dos Estados Unidos.

Bolsas de Nova York disparam

A combinação de perspectiva de acordo no Oriente Médio, queda do petróleo, menor pressão sobre juros e bons resultados de empresas de tecnologia impulsionou fortemente as bolsas americanas. Às 16h40, os principais índices de Nova York registravam altas expressivas: 2,01% no S&P 500, 1,96% no Dow Jones e 2,86% no Nasdaq, que concentra ações do setor de tecnologia.

Mercado aguarda decisão sobre os juros no Brasil

No cenário interno, os investidores estão de olho na decisão sobre a taxa Selic, que será definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no início da noite desta quarta-feira. A expectativa quase unânime é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,25% para 14,00% ao ano. Como o corte já é dado como certo pelo mercado, a atenção se volta para as sinalizações que o Copom pode dar sobre os próximos passos da política monetária nas reuniões de setembro, novembro e dezembro.

O Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com economistas do mercado, divulgado na segunda-feira (3/8), reforça essa expectativa de novos cortes: os técnicos preveem que a Selic termine o ano em 13,75%, o que representaria uma redução total de 0,50 ponto percentual até dezembro. O mesmo boletim trouxe ainda a quinta redução seguida na projeção de inflação para o ano: a estimativa para o IPCA de 2026 caiu para 5,03%, ante 5,12% na semana anterior.

Indústria brasileira dá sinais de desaquecimento

Outro dado que reforça a expectativa de corte de juros veio nesta terça-feira pela manhã. Segundo o IBGE, a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM). Foi a segunda queda consecutiva do indicador, depois de um recuo mais suave de 0,2% em maio. A retração de junho foi a mais forte desde dezembro, quando a PIM havia registrado queda de 1,9%.

Na passagem de maio para junho, as quatro grandes categorias econômicas pesquisadas e a maior parte dos 25 ramos industriais analisados tiveram resultado negativo. O destaque negativo ficou com o grupo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho.





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