DPU pede revogação de norma que libera mineração em assentamentos da reforma agrária


Por Brasil de Fato

A Defensoria Pública da União (DPU) pediu a revogação imediata da norma do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), que regula a realização de grandes empreendimentos relacionados a atividades de mineração, energia e infraestrutura em áreas de assentamentos rurais.

Segundo a DPU, a norma nº 112/2021 deixou de prever garantias essenciais para a proteção dos direitos das comunidades assentadas. O documento também não determina mecanismos eficazes de consulta prévia, livre e informada aos atingidos, conforme determina a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A norma também não dispõe de “critérios técnicos consistentes para a análise de compatibilidade entre os empreendimentos e os objetivos da política agrária. Além disso, não prevê dispositivos voltados à proteção ambiental e à sustentabilidade socioeconômica dos territórios afetados”, diz a DPU.

DPU

Assentamento de terra em Rondônia: mineração liberada. (Foto: Reprodução / O Globo)

O relatório do DPU traz ainda o registro de aproximadamente 17 mil processos envolvendo mineração sobre áreas de assentamento rural, o que revela uma “atuação institucional fragmentada e desarticulada, colocando em risco direitos fundamentais das famílias assentadas”.

Além da revogação, a DPU pede:

A garantia da consulta prévia, livre e informada às comunidades assentadas;

A padronização nacional das análises de compatibilidade dos empreendimentos com os objetivos da reforma agrária;

A criação de um banco nacional de dados sobre empreendimentos incidentes em áreas de reforma agrária;
Investimentos nos assentamentos afetados;

A revisão do processo de licenciamento ambiental dos empreendimentos

A adoção de medidas de reparação nos casos em que assentamentos tenham sido afetados por empreendimentos sem as devidas garantias legais, inclusive com responsabilização dos agentes públicos e privados envolvidos.



Fonte: ICL Notícias

Amazonas Repórter

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