Foi em dezembro de 2025 que a investigação do caso Master, a maior fraude do sistema financeiro brasileiro, chegou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), quando o ministro Dias Toffoli avocou o inquérito para a Corte. Após revelações de negócios com pessoas ligadas ao banco de Daniel Vorcaro, Toffoli deixou o caso em fevereiro e, no mês seguinte, André Mendonça assumiu a relatoria.
Em boa parte do mês de agosto, o noticiário foi tomado por vazamentos de informações do inquérito com conversas comprometedoras para Alexandre de Moraes e Paulo Gonet. Especialmente as mensagens em que Daniel Vorcaro pede a Moraes orientações antes de ser preso e a descoberta de que o ministro teria editado o contrato de advocacia de R$ 130 milhões de sua mulher com o Banco Master. Também o procurador-geral da República foi citado pelo banqueiro.
Em meio aos protestos de Moraes e Gonet pelos vazamentos, André Mendonça tirou o sigilo do inquérito na terça-feira (1º) o que manteve os dois no olho do furacão. Além disso, Mendonça determinou que Daniel Vorcaro prestasse depoimento para explicar as reclamações de que estava sofrendo ameaças da Polícia Federal na prisão e a alegação de que sua proposta de colaboração premiada não foi aceita porque pretendia delatar o diretor geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Enquanto expõe em praça pública as suspeitas contra Moraes, Gonet e Andrei, no entanto, o relator tem comportamento bem diferente com relação à investigação do financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro.
Quase 120 dias depois de vir a público, através de reportagem publicada no site The Intercept, a gravação em que o presidenciável Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para o filme que conta a vida de seu pai, não se viu nenhum movimento relevante em relação a esse episódio.
Curiosamente, outra investigação com relatoria a cargo de Mendonça proporcionou à imprensa um vasto repertório de vazamentos sobre o relacionamento de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente de Lula, e do chefe de gabinete da Presidência da República com a lobista Roberta Luchsinger.
O caso Dark Horse continua parado, sem a prestação de contas prometida por Flávio Bolsonaro ou qualquer resposta para várias perguntas, como por exemplo: Qual o destino final do R$ 61 milhões repassados por Vorcaro? Os recursos foram desviados para atividades políticas no exterior? Por que uma produtora inexperiente foi escolhida para tratar de um filme tão caro? E várias outras.
Mendonça, que permitiu o vazamento de tantas informações do inquérito sobre Fábio Luiz e o chefe de gabinete da Presidência, parece muito pouco interessado em esclarecer os repasses de Vorcaro que foram pedidos por Flávio Bolsonaro.
Dessa forma, o relator desequilibra o jogo eleitoral, dando ao grupo bolsonarista, com quem tem alinhamento ideológico, munição para ataques na campanha, enquanto preserva o candidato do PL.
Por isso, a campanha de Lula resolveu ir ao STF para que seja retirado o sigilo dessa parte do inquérito também.
Se não o faz por conta própria, Mendonça permite à sociedade desconfiar de que sua conduta é parcial, para beneficiar um dos candidatos a presidente.
Que o sigilo seja derrubado imediatamente.





