O presidente da Argentina, Javier Milei, aproveitou o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, neste sábado (25), em São Paulo, para repetir seu discurso ultraliberal e atacar governos de esquerda.
Convidado de honra da convenção do PL, o argentino afirmou que o Brasil vive uma disputa entre “a liberdade” e a continuidade de um modelo de “submissão”, além de pedir apoio à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sem anunciar um candidato a vice nem definir alianças para a eleição de 2026, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio de Milei, que afirmou confiar no senador para “parar a máquina socialista”. O presidente argentino encerrou sua fala repetindo seu bordão: “Viva la libertad, carajo”.
“Eu creio que Flávio somente pode parar Lula, e trazer uma verdadeira mudança para todas os brasileiros. (…) Creio firmemente que não há outro capaz de parar o efeito de Lula sobre o país. E não há outro para fazer de frente às organizações criminais e narcotráficos, e nisso eu confio plenamente em Flávio Bolsonaro”, disse Milei.
Durante o discurso, Milei atribuiu a histórica crise econômica da Argentina exclusivamente às gestões anteriores, classificadas por ele como socialistas. Segundo o presidente, esse modelo provocou aumento da pobreza, inflação, déficit fiscal, excesso de regulações e aproximou o país de “ditaduras e terroristas de diversas partes do mundo”.
Milei evitou mencionar os efeitos de seu próprio ajuste fiscal sobre a população argentina. Desde que assumiu a Presidência, seu governo promoveu cortes profundos nos gastos públicos, reduziu investimentos em áreas sociais, ampliou tarifas de serviços essenciais e viu crescer os índices de pobreza e a perda do poder de compra de parte significativa da população, enquanto enfrenta sucessivos protestos contra suas políticas.
O presidente argentino afirmou que o Brasil ainda não experimentou “as consequências mais profundas” do modelo que critica, mas alertou que isso poderá ocorrer caso o país “não mude de rumo”. Em seguida, reforçou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
“O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo”, disse.

Honraria de Tarcísio
Antes de participar da convenção do PL, Milei foi recebido no Palácio dos Bandeirantes pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pela primeira-dama Cristiane Freitas.
Para recepcionar o presidente argentino, o governo paulista substituiu o tradicional tapete vermelho por um azul, em referência à chamada “onda azul”, expressão utilizada por lideranças da direita para simbolizar o avanço desse campo político na América do Sul. Segundo o governo estadual, a cor também homenageava a bandeira da Argentina.
Após uma reunião reservada, Tarcísio concedeu a Milei a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do Estado de São Paulo. Em nota, o governador justificou a homenagem afirmando que a Argentina é um parceiro estratégico para o estado e defendeu o fortalecimento das relações comerciais e dos investimentos entre os dois países.



